Quando a vida muda sem avisar: a história de Marta

 

Uma visita inesperada ao consultório revelou como a vida pode mudar sem que estejamos preparados.



Cada um sabe o momento certo de seguir, de parar ou até mesmo de mudar completamente a rota de tudo o que foi planejado. Há quem trace caminhos, estabeleça metas e imagine como serão os próximos capítulos. Outros simplesmente seguem, sem saber ao certo o que encontrarão na próxima curva.

Mas a vida nem sempre respeita nossos planos. Às vezes, ela muda o roteiro sem pedir licença.

Foi assim que Marta apareceu.

O dia em que Marta chegou ao consultório

Aos 23 anos, ela chegou ao consultório odontológico eufórica, falando palavras desconexas. Era uma metralhadora ambulante, disparando palavras sem parar, numa sequência que parecia não ter começo, meio ou fim. Foi difícil compreender o que realmente se passava em sua cabeça.

Naquele momento, nada parecia exigir qualquer procedimento odontológico. Ainda assim, Marta insistia que algo estava errado. Uma espécie de tormenta havia invadido o céu da sua boca.

O céu da boca de Marta era frio, seco, extremamente vermelho e, de tempos em tempos, segundo ela própria descrevia, chegava a jorrar sangue de sua parte mais profunda.

Marta não queria deixar o consultório. Insistia em permanecer ali, esperando a cachoeira de sangue que, em sua percepção, escorreria do céu de sua boca.

Esperamos quase uma hora, até que sua mãe chegou e nos apresentou uma realidade difícil de compreender.

Segundo ela, Marta levava uma vida perfeitamente normal. De repente, porém, parecia ter despertado como uma personagem fugindo de um roteiro mal escrito, inacabado.

As idas e vindas de Marta em busca de tratamento psicológico pareciam não ter aliviado as dores que carregava naquele novo capítulo de sua vida. Noites em claro eram subitamente substituídas por dias e mais dias de solidão, numa cama, em um quarto escuro.

As dores que nem sempre conseguimos compreender

O que teria acontecido para que tudo mudasse daquela maneira? Que pensamentos atravessavam sua mente enquanto o mundo ao redor continuava seguindo seu curso?

Eu não tinha respostas. E talvez essa fosse a parte mais difícil daquela experiência: perceber que, apesar de toda a nossa vontade de compreender e ajudar, existem dores que não conseguimos alcançar apenas com perguntas.

Depois de quase uma hora, Marta deixou o consultório amparada pelas mãos da mãe, que carinhosamente a acolhia e enxugava suas lágrimas. Elas escorriam pelo rosto da jovem como uma cachoeira em dia de chuva.

Fiquei ali, perplexo, perdido em pensamentos, tentando compreender o que havia presenciado.

Nem todos os capítulos da vida são visíveis

A vida é uma incógnita. Por mais que tentemos organizar nossos dias, construir certezas e imaginar o futuro, nem sempre conseguimos prever o que virá. Às vezes, uma pessoa que ontem parecia seguir tranquilamente seu caminho enfrenta, hoje, uma realidade inteiramente diferente.

A história de Marta me fez pensar em quantas coisas acontecem longe dos nossos olhos. Quantas pessoas atravessam tempestades silenciosas enquanto, por fora, o mundo parece seguir normalmente.

Nem sempre sabemos o que o outro está enfrentando. Nem sempre compreendemos suas palavras, seus gestos ou seus silêncios. E nem sempre temos condições de oferecer as respostas que gostaríamos.

Mas podemos aprender a olhar com mais atenção, ouvir com mais paciência e reconhecer os limites daquilo que sabemos.

Naquele dia, Marta chegou ao consultório com uma tormenta que eu não sabia explicar. Foi embora amparada pela mãe, levando consigo uma história que não cabia em uma ficha clínica.

E eu fiquei com uma certeza: a vida pode mudar sem avisar. Por isso, antes de julgar a caminhada de alguém, talvez seja melhor lembrar que não conhecemos todos os capítulos de sua história.

Amor e ódio: quando tudo o que precisamos é ser ouvidos



Mulher conversa intensamente com um homem em uma festa, ilustrando a crônica Amor e ódio.

 

Uma conversa inesperada revela como experiências passadas podem despertar sentimentos contraditórios, e como um desconhecido pode se tornar, por alguns minutos, alguém disposto a escutar.

Entre o amor e o ressentimento

Despertar sentimentos, conviver com a necessidade de ser amado e com o medo de ser odiado. Tudo parece planejado, mas, muitas vezes, acontece de maneira inesperada.

Os desejos, a busca pelo novo, o amor fraterno, o amor involuntário e o amor universal parecem percorrer caminhos menos tortuosos.

Mas também existe o ódio involuntário, aquele que nasce de situações banais, de experiências dolorosas ou de acontecimentos que talvez pudessem ter sido evitados.

Amor e ódio podem caminhar juntos. Ainda assim, os caminhos que conduzem a esses sentimentos poderiam ser moldados de outra maneira, evitando ambiguidades, desapontamentos, ressentimentos, desencantos e tristezas que, por vezes, parecem não ter fim.

Os caminhos são muitos. As escolhas, nem sempre acertadas. E os sentimentos que nos conduzem ao amor ou ao ódio também carregam suas imperfeições.

Uma desconhecida, uma festa e uma declaração inesperada

Certa noite, em uma festa qualquer, esbarrei em uma desconhecida que começou a conversar comigo sem parar.

Simplesmente não havia espaço para que eu dissesse: “Até logo, foi um prazer conhecê-la”.

Nada disso.

Ela se transformou em uma verdadeira metralhadora falante, disparando palavras de segundo em segundo. Eu já estava assustado com aquela enxurrada de frases e, sinceramente, só queria encontrar uma maneira educada de me desvencilhar da situação.

Foi então que ela me perguntou o que eu fazia da vida.

Respondi que era dentista.

Naquele instante, sua expressão mudou. Em voz alta, ela declarou:

 - Eu odeio dentistas!

Fiquei surpreso. Confesso que também senti certo receio diante daquela reação tão inesperada.

Perguntei:

- Como você pode odiar uma pessoa que nem conhece?

Ela não hesitou:

- Eu odeio você, sim. Mas também amo você!

Foi aí que fiquei ainda mais confuso.

Por alguns segundos, tentei compreender como alguém poderia odiar e amar, ao mesmo tempo, uma pessoa com quem acabara de conversar.

A resposta veio logo depois.

Ela odiava os dentistas. Como eu era dentista, também me odiava. Mas, ao mesmo tempo, dizia me amar.

Era uma contradição sustentada por experiências anteriores, por lembranças de consultórios odontológicos, por dores que havia sentido e, curiosamente, também por dores que tinham sido aliviadas na cadeira do dentista.

Por trás daquela declaração tão estranha, havia uma história. Talvez várias.

O que existe por trás do ódio?

Meus amigos chegaram, e a conversa perdeu espaço para outras vozes. Finalmente, a metralhadora de palavras silenciou.

Nos despedimos.

Ainda olhei discretamente ao redor, quase como quem verifica se não estava sendo seguido. Para minha sorte, ela desapareceu na multidão.

Nunca mais a encontrei.

Mas aquela conversa permaneceu comigo.

Às vezes, permitir que alguém fale, deixar que sentimentos sejam expressos e oferecer alguns minutos de escuta pode significar muito para quem carrega dores que não consegue compartilhar.

Não precisamos conhecer toda a história de alguém para perceber que existe algo sendo pedido por trás das palavras. Nem sempre esse pedido é explícito. Às vezes, ele aparece disfarçado de raiva, impaciência, contradição ou de uma conversa que parece não ter fim.

Talvez aquela jovem estivesse apenas procurando ser acolhida ao ser ouvida.

Talvez odiasse a situação em que sua vida se encontrava. Talvez amasse alguém que não a correspondia. Talvez estivesse cansada de não encontrar espaço para falar sobre o que sentia.

Ou talvez precisasse simplesmente encontrar alguém disposto a escutar suas dores, seus amores e suas lamentações sem julgá-la.

E, curiosamente, um desconhecido pode oferecer algo que nem sempre encontramos entre pessoas próximas: a liberdade de falar sem o peso de uma história compartilhada, sem a preocupação com o que virá depois e sem a necessidade de explicar quem somos.

Às vezes, tudo começa quando alguém escuta

Ela não precisava me dizer seu nome, seu endereço ou qualquer detalhe de sua vida. Eu não precisava conhecer seu passado para ouvir o que ela tinha a dizer.

Talvez, naquele breve encontro, o mais importante não fosse compreender por que ela me odiava ou por que afirmava me amar.

Talvez o mais importante fosse perceber que, por trás daquela declaração contraditória, havia alguém tentando colocar para fora sentimentos que pareciam não encontrar outro caminho.

Nunca saberei se ela se sentiu melhor depois daquela conversa. Também não sei se alguém, em algum outro momento, conseguiu ouvi-la com a paciência que talvez procurasse.

O que sei é que, naquela noite, uma desconhecida me fez pensar sobre a distância entre aquilo que sentimos e aquilo que conseguimos expressar.

Nem sempre sabemos pedir acolhimento. Nem sempre conseguimos transformar a dor em palavras serenas. E nem sempre quem está diante de nós compreende o que realmente estamos tentando dizer.

Por isso, antes de responder à raiva com mais raiva, talvez valha a pena tentar escutar. Não para aceitar qualquer comportamento, nem para assumir a responsabilidade pelos problemas alheios, mas para reconhecer que cada pessoa carrega uma história que desconhecemos.

Aquela jovem precisava simplesmente ser ouvida.

Nem que, para isso, tivesse de me odiar e me amar sem nunca ter me conhecido de verdade- e, provavelmente, sem nunca mais voltar a me encontrar.

Sobre dores e desafios:

 Algumas histórias que chegam ao consultório não cabem em uma ficha clínica.




O mundo pode parecer simples.

Às vezes, fácil.

Colorido.

Mas nem sempre foi assim para todos.

Ao longo dos anos de consultório, conheci pessoas que carregavam em seus cotidianos tons muito diferentes. Algumas pareciam viver em um mundo quase sem cores, pintado de cinza. Outras, apesar das dificuldades, ainda encontravam alguma maneira de acrescentar amarelo, vermelho, azul ou qualquer outra cor àquilo que, por algum tempo, havia parecido apenas preto e branco.

Talvez seja uma das coisas mais curiosas da profissão: você imagina que está ali para cuidar de dentes e, de repente, alguém coloca diante de você uma história inteira.

E quando os pacientes começam a falar, muitas vezes descarregam ali, naquele pequeno espaço de tempo, dores que talvez não tenham encontrado outro lugar para serem ditas.

Cada história que escuto costuma me fazer pensar em alguma coisa.

Em como ainda tenho muito a percorrer.

Em como meus próprios problemas, que às vezes parecem enormes, podem ser pequenos diante das batalhas que outras pessoas enfrentam todos os dias.

E em como somos rápidos para reclamar daquilo que temos, sem imaginar o peso que alguém sentado ao nosso lado pode estar carregando.

Quando a paciência chega ao limite

Antônia tinha pouco mais de trinta anos.

Era mãe solteira de três filhos. Um deles tinha deficiência física.

Naquele dia, alguma coisa aconteceu.

Não havia, aparentemente, um grande motivo para que ela perdesse a paciência naquele exato momento, diante da auxiliar de saúde bucal.

Mas perdeu.

O ambiente ficou em silêncio.

Ninguém sabia muito bem o que dizer.

E talvez aquele silêncio tenha sido necessário.

Às vezes, quando alguém chega ao limite, não precisa imediatamente de uma explicação.

Precisa de espaço.

De alguns minutos.

De alguém que não transforme aquele momento em julgamento.

Foi assim que deixamos o silêncio ocupar o ambiente.

E, aos poucos, aquele silêncio pareceu abrir uma pequena fresta.

Antônia começou a colocar para fora alguns dos fantasmas que carregava.

Não todos.

Talvez nem fosse possível.

Mas alguns.

O suficiente para que pudéssemos compreender que aquela explosão não tinha começado naquele consultório.

Havia muito mais coisa acontecendo por trás dela.

Algumas pessoas desabafam onde encontram escuta

É curioso como algumas pessoas conseguem falar de suas maiores dores diante de completos desconhecidos.

Talvez justamente porque somos desconhecidos.

Não existe a história anterior.

Não existe a obrigação de parecer forte.

Não existe a necessidade de preservar uma imagem construída durante anos.

Existe apenas aquele momento.

Aquela cadeira.

Aquela sala.

E alguém disposto a ouvir.

Depois de alguns minutos, Antônia começou a chorar.

O choro de quem havia segurado muita coisa por tempo demais.

E então veio o pedido de desculpas.

Como se ela precisasse se desculpar por ter chegado ao próprio limite.

Ao lado dela, a filha de oito anos também chorava.

E aquela cena dizia muito mais do que qualquer exame poderia dizer.

Não havia apenas uma paciente naquela sala.

Havia uma mãe cansada.

Havia uma criança absorvendo a angústia da mãe.

Havia uma família enfrentando desafios que eu provavelmente jamais conseguiria conhecer completamente.

E havia, naquele pequeno espaço de tempo, uma confiança que eu não tinha pedido.

Ela simplesmente aconteceu.

O que existe por trás de uma pessoa sentada na cadeira

Talvez essa seja uma das coisas que mais me marcaram durante os anos de consultório.

Nós vemos o paciente.

Mas raramente vemos tudo aquilo que chegou junto com ele.

A pessoa entra pela porta.

Senta-se na cadeira.

Abre a boca.

Responde às perguntas.

E nós examinamos seus dentes.

Mas o que veio junto?

Uma noite mal dormida?

Uma preocupação com os filhos?

Uma conta que não sabe como pagar?

Uma doença na família?

Uma separação?

Um medo?

Uma solidão?

Uma história que ninguém conhece?

Não existe radiografia capaz de mostrar tudo isso.

E talvez seja por isso que algumas consultas permaneçam na memória muito depois de esquecermos qual dente foi tratado.

 Dores que não aparecem no prontuário

Ao longo do tempo, comecei a perceber que muitos pacientes utilizavam aqueles poucos minutos de consulta para estabelecer uma relação que ia muito além do atendimento odontológico.

Não porque eu tivesse respostas para suas vidas.

Eu não tinha.

E ainda não tenho.

Mas talvez algumas pessoas não estejam procurando respostas.

Talvez estejam procurando apenas alguém que permaneça ali enquanto elas conseguem colocar em palavras aquilo que estava preso há muito tempo.

Às vezes, são poucas palavras.

Às vezes, são muitas.

Às vezes, é apenas um silêncio acompanhado de lágrimas.

Mas existe algo poderoso quando uma pessoa percebe que, naquele momento, não precisa fingir que está tudo bem.

Cada paciente carrega seus próprios desafios

Depois de tantas histórias, fica difícil não olhar para os próprios problemas de outra maneira.

Não significa diminuir aquilo que sentimos.

Cada dor é real para quem a sente.

Mas talvez conhecer outras dores nos ajude a desenvolver um pouco mais de perspectiva.

A entender que cada pessoa está travando batalhas que desconhecemos.

E que aquilo que parece uma reação exagerada para quem observa de fora pode ser apenas o último fio de uma corda que já estava sendo puxada há muito tempo.

Antônia não era apenas uma mulher que perdeu a paciência.

Era uma mãe.

Uma mulher tentando cuidar de três filhos.

Uma delas com necessidades especiais.

Uma pessoa que, naquele dia, simplesmente chegou ao limite.

Talvez todos nós tenhamos um limite.

A diferença é que algumas pessoas conseguem escondê-lo melhor.

Algumas palavras podem fazer diferença

Este foi apenas mais um dia entre tantos outros.

Mais uma história entre muitas que cruzaram meu caminho.

Algumas eu consegui guardar.

Outras foram desaparecendo com o tempo.

Mas certas cenas permanecem.

Talvez porque nos ensinem alguma coisa.

Talvez porque nos lembrem de que ninguém entra em um consultório deixando sua vida do lado de fora.

Cada paciente chega acompanhado de uma história.

E, por alguns minutos, essa história pode cruzar a nossa.

Não precisamos conhecer todos os detalhes.

Não precisamos solucionar todos os problemas.

Às vezes, algumas boas palavras já fazem diferença.

E, às vezes, até o silêncio pode ser uma forma de acolhimento.

 Sobre dores e desafios

Quando penso em todas essas histórias, fico imaginando quantas pessoas caminham diariamente carregando dores que ninguém percebe.

Pessoas que trabalham.

Que cuidam dos filhos.

Que sorriem.

Que conversam.

Que cumprem suas obrigações.

E que, por dentro, talvez estejam simplesmente tentando encontrar forças para chegar ao dia seguinte.

Por isso, talvez devêssemos ser um pouco mais cuidadosos com os julgamentos.

Um pouco mais generosos com as palavras.

Um pouco mais dispostos a ouvir.

Porque nunca sabemos o que existe por trás de uma reação, de um silêncio ou de uma lágrima.

E talvez essa seja uma das grandes lições que o consultório me ensinou:

cada pessoa que senta naquela cadeira está enfrentando desafios que não aparecem no exame.

A algumas delas, talvez possamos oferecer apenas alguns minutos de escuta.

A outras, uma palavra.

A outras, silêncio.

Mas talvez até isso seja importante.

Porque, no fim, todos nós carregamos nossas dores.

Todos nós enfrentamos nossos desafios.

E todos nós, em algum momento, precisamos encontrar alguém que nos lembre de que não precisamos atravessar tudo sozinhos.

Que os caminhos de cada um sejam, apesar das dores e dos desafios, entrelaçados por um pouco mais de paz, acolhimento e humanidade.

A criança que pediu desculpas por estar com medo

 



Há histórias que permanecem.

Não porque tenham terminado de maneira extraordinária.

Mas porque algumas cenas, depois de tantos anos, continuam voltando à nossa memória sem pedir licença.

Essa é uma delas.

Ela tinha apenas nove anos.

Entrou no consultório assustada.

Pequena demais para carregar tanto medo.

Lembro-me de que, antes mesmo que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela pediu desculpas.

Desculpas por estar com medo.

Desculpas pelas lágrimas que escorriam pelo rosto.

Desculpas por não conseguir se controlar.

Uma criança de nove anos pedindo desculpas porque estava chorando.

Aquilo me atravessou.

Porque, naquele momento, eu não enxergava apenas uma pequena paciente diante de mim.

Eu enxergava uma criança que, de alguma maneira, havia aprendido que até o próprio medo precisava ser justificado.

Talvez ela tivesse tido experiências anteriores ruins.

Talvez tivesse sentido dor.

Talvez tivesse conhecido profissionais que não souberam acolhê-la.

Talvez tivesse aprendido, em algum lugar da vida, que chorar incomodava.

Não sei.

E talvez nunca tenha sabido toda a história que aquela criança carregava.

Mas havia alguma coisa naquele pedido de desculpas que parecia maior do que o consultório.

"Desculpa por estar com medo."

Quantas vezes uma criança precisa sentir medo antes de aprender a pedir desculpas por senti-lo?

O medo que não começa na cadeira do dentista

Quem olha de fora pode imaginar que o medo estava relacionado apenas ao tratamento odontológico.

Mas nem todo medo começa onde ele aparece.

Às vezes, ele chega de muito antes.

Chega de outras dores.

De outras experiências.

De outras ausências.

De uma infância em que talvez tenha faltado aquilo que nenhuma criança deveria precisar pedir:

Segurança.

Acolhimento.

Proteção.

Tranquilidade.

Há crianças que chegam ao consultório com medo do dentista.

E há crianças que chegam carregando medos que não nasceram ali.

A cadeira odontológica apenas revela aquilo que já estava dentro delas.

Naquele dia, eu poderia ter enxergado apenas uma criança chorando.

Mas talvez fosse mais importante enxergar o motivo pelo qual ela achava que precisava pedir desculpas por chorar.

Algumas dores não cabem em uma ficha clínica

Na Odontologia, aprendemos a perguntar onde dói.

É uma pergunta importante.

Precisamos saber.

Mas existem dores para as quais não existe uma escala numérica.

Não aparecem na radiografia.

Não podem ser medidas com uma sonda.

Não deixam necessariamente uma lesão visível.

Uma criança pode chegar com dor de dente.

Mas o que sabemos sobre a dor que ela leva para casa?

O que sabemos sobre o medo que existe antes de dormir?

Sobre a fome?

Sobre a solidão?

Sobre a violência?

Sobre a ausência de alguém?

Sobre as noites em que uma criança deveria estar dormindo, mas está tentando entender o mundo?

Naquela idade, ela deveria estar preocupada com brincadeiras, desenhos, escola, amigos, aniversários.

Não deveria precisar aprender tão cedo a pedir desculpas por sentir medo.

 Quem será responsabilizado?

Essa pergunta me acompanhou por muito tempo.

Quem será responsabilizado pelas dores que uma criança não deveria conhecer?

Quem responde pela fome?

Pelo medo?

Pela solidão?

Pela negligência?

Pelas marcas que não aparecem na pele?

É fácil procurar um culpado quando existe uma ferida visível.

Mais difícil é responsabilizar aquilo que não conseguimos fotografar.

Porque algumas dores são silenciosas.

Algumas acontecem dentro de casa.

Outras acontecem na ausência dela.

Algumas são resultado de circunstâncias que nenhuma criança escolheu.

E, enquanto os adultos discutem responsabilidades, a criança continua crescendo.

Carregando aquilo que não deveria carregar.

Aprendendo, muitas vezes cedo demais, a esconder o medo.

A engolir o choro.

A não incomodar.

A pedir desculpas.

 Talvez ela só precisasse que alguém dissesse: não precisa pedir desculpas

Não me lembro se consegui encontrar as palavras perfeitas naquele momento.

Talvez elas nem existam.

Porque existem situações em que qualquer frase parece pequena diante do que está acontecendo.

Mas uma coisa eu aprendi naquele consultório:

uma criança assustada não precisa de bronca por estar assustada.

Precisa de tempo.

Precisa de alguém que não transforme suas lágrimas em um problema.

Precisa sentir que pode dizer "estou com medo" sem precisar acrescentar "desculpa".

Talvez cuidar também seja isso.

Criar, por alguns minutos, um lugar onde alguém possa baixar a guarda.

Onde o medo não seja motivo de vergonha.

Onde chorar não seja uma falha.

Onde uma criança possa simplesmente ser criança.

 O que ficou daquela consulta

Anos depois, muitas histórias do consultório se perderam nos detalhes.

Esqueci nomes.

Esqueci datas.

Esqueci procedimentos.

Mas algumas cenas permanecem intactas.

Aquela menina é uma delas.

Talvez porque, naquele dia, eu tenha percebido que o trabalho de um dentista pode começar muito antes de tocar em um dente.

Pode começar quando uma criança entra pela porta.

Quando ela olha para você tentando descobrir se está segura.

Quando as lágrimas aparecem.

Quando ela pede desculpas.

E talvez, naquele instante, o mais importante não seja dizer:

"Não precisa ter medo."

Porque, para quem sente medo, essa frase nem sempre resolve.

Talvez seja melhor dizer:

"Eu sei que você está com medo. E está tudo bem. Nós vamos devagar."

Há uma diferença enorme entre mandar alguém deixar de sentir medo e oferecer companhia enquanto o medo passa.

 Algumas crianças carregam histórias que não conseguimos enxergar

Hoje, quando penso naquela menina, não me lembro apenas da paciente.

Lembro-me da criança.

E penso em quantas outras entram todos os dias em consultórios, escolas, hospitais e salas de aula carregando histórias que ninguém conhece.

Crianças que aprenderam a sorrir.

Crianças que aprenderam a ficar quietas.

Crianças que aprenderam a pedir desculpas.

Crianças que talvez tenham se acostumado com aquilo que jamais deveria ser normal.

Por isso, talvez devêssemos olhar um pouco mais demoradamente.

Antes de perguntar:

"O que ela tem?"

Talvez seja necessário perguntar:

"O que será que ela está vivendo?"

Porque existem sofrimentos que não aparecem no exame.

Existem traumas que não aparecem na boca.

E existem pedidos de socorro que chegam disfarçados de silêncio, medo ou lágrimas.

Aquela menina entrou no consultório pedindo desculpas por estar com medo.

Eu gostaria de acreditar que, por alguns minutos, ela descobriu que não precisava.

Que ali ela podia chorar.

Podia ter medo.

Podia ser pequena.

Podia simplesmente ser uma criança.

 Para saber mais

O Ministério da Saúde reúne orientações sobre cuidados com a saúde bucal das crianças, incluindo higiene, prevenção e acompanhamento odontológico.

Saúde Bucal na Infância - Ministério da Saúde

E talvez essa seja uma das coisas que mais ficaram comigo depois de tantos anos de consultório:

algumas crianças não precisam que o mundo lhes peça coragem.

Precisam apenas encontrar, de vez em quando, alguém que lhes ofereça segurança.

A cadeira do dentista também é um divã



Durante muitos anos, sentei-me diante de pessoas que chegavam ao consultório com uma queixa muito específica.

Dor de dente.

Uma restauração que havia caído.

Uma prótese que não estava mais confortável.

Um dente que precisava ser extraído.

Era para isso que eu estava ali.

Pelo menos, era o que eu imaginava.

Com o tempo, porém, comecei a perceber que algumas pessoas chegavam ao consultório odontológico trazendo muito mais do que uma dor na boca.

Às vezes, o dente era apenas a porta de entrada.

A pessoa sentava na cadeira, eu começava o exame e, enquanto procurava uma cárie, uma fratura ou qualquer outra coisa que justificasse aquela consulta, ela começava a falar.

E quando percebia, já estávamos muito longe dos dentes.

Falávamos da vida.

Do marido.

Dos filhos.

De uma separação.

De alguém que havia morrido.

De uma preocupação que ela não conseguia contar para ninguém.

De uma solidão que não aparecia em nenhuma radiografia.

Talvez por isso eu tenha começado a pensar que, de certa maneira, a cadeira do dentista também é um divã.

Não porque nós, dentistas, sejamos psicólogos.

Não somos.

E não devemos ocupar um lugar que não nos pertence.

Mas existe alguma coisa curiosa naquela cadeira.

A pessoa se senta.

Reclina.

Fica ali, por alguns minutos, praticamente sem ter para onde ir.

E, enquanto eu examinava sua boca, muitas vezes ela acabava me entregando também um pedaço da sua história.

Uma senhora que foi ao dentista para conversar

Lembro-me especialmente de uma senhora, por volta dos 75 anos.

Ela chegou à Unidade Básica de Saúde (UBS) para uma consulta odontológica.

Fiz o exame clínico normalmente, procurando alguma alteração, alguma queixa que precisasse ser tratada.

Mas não encontrei nada significativo.

Estava tudo bem.

Ou, pelo menos, tudo parecia bem quando eu olhava apenas para a boca.

Depois do exame, ela acabou me contando, com uma naturalidade que me marcou, que talvez tivesse ido até ali por outro motivo.

Ela realmente queria conversar.

Morava sozinha.

Os filhos estavam longe.

A rotina era silenciosa.

E ir até a unidade de saúde era, de certa maneira, uma forma de sair de casa, encontrar pessoas, conversar e deixar a vida um pouco mais alegre.

Aquilo ficou comigo.

Porque eu havia entrado naquela sala pensando que tinha diante de mim uma paciente que precisava de um exame odontológico.

Mas havia uma mulher ali que também precisava de companhia.

E não havia absolutamente nada de errado com isso.

Talvez, naquele dia, o que ela precisava não pudesse ser encontrado com espelho, sonda ou radiografia.

Nem toda dor aparece no exame

Na Odontologia, aprendemos a procurar sinais.

Observamos a gengiva.

Examinamos os dentes.

Procuramos lesões.

Perguntamos onde dói.

Tentamos descobrir a origem do problema.

Mas a vida não funciona como uma boca.

Existem dores que não aparecem no exame.

Existem sofrimentos que não deixam marcas visíveis.

Uma pessoa pode sorrir enquanto conversa e, ainda assim, estar atravessando um período muito difícil.

Pode estar trabalhando, cuidando dos filhos, indo ao supermercado, pagando contas, respondendo mensagens e cumprindo todas as obrigações do dia enquanto carrega dentro de si uma tristeza que ninguém percebe.

No consultório, aprendi que nem sempre a pessoa que diz “não tenho nada” realmente quer dizer que não tem nada.

Às vezes ela quer dizer:

“Eu não sei como explicar o que está acontecendo comigo.”

O consultório como lugar de escuta

Nunca pensei que uma parte tão importante do meu trabalho pudesse acontecer justamente nos momentos em que eu não estava falando de dentes.

Uma consulta pode começar com:

“Doutor, esse dente está doendo.”

E terminar com:

“Doutor, sabe o que está acontecendo na minha vida?”

E então você percebe que aquela pessoa estava esperando uma oportunidade para falar.

Não cabia ao dentista resolver aquela vida.

Nem seria correto tentar fazer isso.

Mas talvez coubesse ouvir.

Ouvir sem transformar imediatamente tudo em conselho.

Ouvir sem julgar.

Ouvir sem dizer que “vai ficar tudo bem” quando você não tem como saber.

Às vezes, simplesmente permanecer alguns minutos diante de alguém e prestar atenção no que ela está dizendo já é uma forma de respeito.

Algumas histórias ficaram comigo

Ao longo dos anos, aconteceram muitas situações assim.

Algumas eram engraçadas.

Outras, completamente inesperadas.

Algumas eu contei aqui no Amilton Live.

Como aquela paciente que chegou ao consultório depois de uma situação tão inusitada que acabou virando a crônica “Engoli meu dente, e agora?!”.

Naquele caso, a história começou com um dente de dentadura e terminou em uma situação que, até hoje, é difícil esquecer.

Mas havia também histórias que não tinham nada de engraçado.

Histórias de pessoas envelhecendo sozinhas.

De filhos que moravam longe.

De perdas.

De medo, como na crônica “Pecados...”.

De pessoas que pareciam estar bem até começarem a falar.

E talvez seja justamente por isso que algumas consultas permanecem na nossa memória por muito mais tempo do que outras.

Não necessariamente porque havia alguma coisa extraordinária acontecendo com os dentes.

Mas porque havia uma pessoa extraordinária tentando continuar vivendo apesar das coisas que carregava.

Setembro Amarelo e aquilo que não aparece

Estamos novamente em setembro.

O mês do Setembro Amarelo nos convida a falar sobre prevenção do suicídio e saúde mental.

Mas, para mim, depois de tantos anos ouvindo pacientes, existe uma pergunta que vem antes de qualquer campanha:

Será que estamos realmente olhando para as pessoas que estão ao nosso redor?

Não apenas olhando.

Percebendo.

Uma pessoa que vive sozinha.

Um amigo que deixou de aparecer.

Alguém que mudou repentinamente seu comportamento.

Uma pessoa que sempre dizia estar bem e que agora parece diferente.

Nem toda mudança significa que existe um problema grave.

Nem toda tristeza significa depressão.

Nem toda solidão significa risco de suicídio.

Mas isso não significa que devemos ignorar os sinais quando alguém demonstra sofrimento.

E também não significa que precisamos transformar cada conversa em uma tentativa de diagnosticar o outro.

Talvez o primeiro passo seja muito mais simples.

Perguntar:

“Como você está?”

E, principalmente, estar disposto a ouvir a resposta.

O dentista não é psicólogo. Mas é gente.

Essa talvez seja uma das coisas que mais aprendi durante os anos de consultório.

Antes de ser paciente, aquela pessoa é uma pessoa.

Antes de ser uma boca para examinar, ela tem uma história.

Antes de ser um prontuário, ela tem medos, desejos, perdas, lembranças e esperanças.

O dentista não precisa ser psicólogo para perceber isso.

E também não deve tentar substituir um profissional de saúde mental.

Quando existe sofrimento psicológico importante, é fundamental buscar ajuda especializada.

Mas podemos ser humanos.

Podemos ouvir.

Podemos acolher.

Podemos perceber quando alguma coisa parece não estar bem e, quando necessário, incentivar a pessoa a procurar ajuda.

Talvez seja essa a diferença entre simplesmente atender alguém e realmente enxergar quem está sentado diante de nós.

E podemos continuar derrubando paradigmas que ainda associam a Odontologia a uma prática individualista e excludente, na qual pacientes acabam sendo tratados como números.

O que aquela senhora me ensinou

Volto àquela senhora de quem falei no começo.

Ela não tinha uma grande queixa odontológica.

Não havia uma cárie profunda esperando por tratamento.

Não havia uma dor que exigisse um procedimento.

Ela simplesmente estava sozinha.

E naquele dia, sair de casa, ir até a unidade de saúde e conversar com alguém fazia diferença.

Talvez ela tenha saído dali sem nenhum tratamento odontológico.

Mas eu gosto de pensar que aquela consulta não foi inútil.

Porque nem tudo que importa em uma consulta aparece no prontuário.

Algumas coisas ficam apenas na memória de quem estava ali.

Talvez algumas pessoas só precisem que alguém pare para ouvir

Depois de tantos anos, percebi que a cadeira odontológica pode ser um lugar curioso.

Ali, algumas pessoas abrem a boca para que examinemos os dentes.

E, inesperadamente, acabam abrindo também uma janela para a própria vida.

Nós não conseguimos tratar todas as dores.

Não temos respostas para todos os problemas.

Não podemos substituir psicólogos, psiquiatras, médicos ou outros profissionais quando eles são necessários.

Mas podemos prestar atenção.

Podemos perguntar.

Podemos escutar.

E podemos lembrar que, por trás de cada paciente que entra pela porta do consultório, existe alguém que está tentando dar conta da própria vida.

Talvez seja por isso que, depois de tantos anos, algumas histórias continuam comigo.

Porque há coisas que não aparecem no exame, mas que também precisam ser cuidadas.

E talvez essa seja uma das maiores lições que a cadeira do dentista me ensinou.

Às vezes, antes de cuidar de um dente, precisamos simplesmente enxergar a pessoa que está por trás dele.

 

Café e Livros: O Ritual do Café Orfeu Orgânico no De Boca Aberta



Xícara de café com Drip Coffee Orfeu Orgânico ao lado de livro aberto sobre mesa de madeira rústica em ambiente aconchegante.

Existem rituais que não aceitam pressa. Para um cronista, sentar-se diante de uma página em branco, ou mergulhar nas páginas de um livro alheio, exige um preparo da alma. E, no meu caso, esse preparo tem um aroma muito específico: o café recém-passado.

Sempre acreditei que o café e o livro são companheiros de destino. Ambos exigem pausa, ambos despertam os sentidos e, se bem escolhidos, deixam um retrogosto de saudade quando terminam. Recentemente, mudei o tom do meu ritual no De Boca Aberta & Outras Histórias. Descobri que a qualidade do que bebemos influencia a clareza do que lemos.

Por que o Café Orfeu Orgânico mudou minha rotina de leitura?

Hoje, enquanto as histórias ganham vida, meu fiel escudeiro tem sido o Café Orfeu Orgânico. O que me cativou não foi apenas o sabor equilibrado e a consciência de ser um grão cultivado sem pressa, mas a praticidade que encontrei para os meus momentos de criação literária.

Para quem busca um café gourmet para ler, a pureza do grão faz toda a diferença. Ele traz uma nota de sofisticação que combina com o papel e com o tempo lento das boas memórias.

A praticidade do Drip Coffee para quem ama crônicas

Para quem, como eu, se perde no enredo e esquece do mundo, ter um café de altíssima qualidade filtrado diretamente na xícara, sem precisar sair do canto de leitura, é um luxo necessário. O sistema Drip Coffee da Orfeu é o "café de bolso" que entrega a alma de uma cafeteria premiada no silêncio do meu escritório.

Escritor Amilton Costa lendo livro no sofá com xícara de Café Orfeu Orgânico Drip Coffee.


Dica do Amilton: Para os amigos que sempre perguntam como mantenho o foco (e o paladar apurado), deixo aqui o caminho para o meu segredo orgânico. Costumo garantir a entrega de  meus sachês com a rapidez que minha ansiedade literária exige: Confira o Café Orfeu Orgânico  aqui.

Conclusão: A Próxima Página

Com a xícara fumegante ao lado, as palavras parecem pesar menos. No próximo encontro aqui no blog, quero lhes contar como esse mesmo café tem sido a trilha sonora para as minhas caixas da TAG Curadoria e Inéditos, mas isso é conversa para outra xícara.

E você? Qual o aroma que embala suas leituras? O café forte para despertar a trama ou um chá suave para ninar a poesia? Deixe seu comentário abaixo!

— Amilton A Costa




 

Infinitos Fins: Como os encerramentos da vida nos preparam para o novo


O peso de colocar um ponto final

Todos nós já passamos por momentos em que o "fim" parecia absoluto. Seja o encerramento de um ciclo profissional, o término de um relacionamento ou a despedida de quem amamos. Mas, e se o fim não for um muro, mas sim uma porta?

Com base em experiências reais e nas reflexões acumuladas ao longo de anos - muitas das quais você já acompanhou por aqui e em outros posts que alcançaram milhares de leitores - , trago para você meu novo livro, "Infinitos Fins".

Capa do livro Infinitos Fins, escrito por Amilton Costa


Saúde Mental e a Arte de Desapegar 

Aceitar que as coisas terminam é um dos maiores exercícios de saúde emocional. Muitas vezes, o sofrimento não vem do fim em si, mas da nossa resistência em deixar ir. Escrever Infinitos Fins foi, para mim, uma forma de organizar essas dores e transformá-las em aprendizado.

  • Resiliência: A capacidade de se refazer.

  • Reflexão: O silêncio necessário após a tempestade.

  • Recomeço: A coragem de escrever o próximo capítulo.

Por que ler Infinitos Fins? 

Este livro não é apenas uma coletânea de encerramentos; é um guia para quem busca sentido no caos das transições. Se você sente que está estagnado em um "fim" que não termina, estas páginas foram escritas para você.

"O fim é apenas o infinito se apresentando de uma forma que ainda não aprendemos a ler."


Adquira o livro na Amazon

Você já pode mergulhar nesta jornada de autoconhecimento e reflexão. O livro está disponível em formato digital e físico:

👉 Clique aqui para comprar "Infinitos Fins" na Amazon

 

De Boca Aberta está de volta! 15 anos depois, as histórias ganham nova vida

Relançamento do livro "De Boca Aberta: Crônicas de Vidas na Cadeira Odontológica" — Edição Revisada e Ampliada 2026


Capa do livro De Boca Aberta: Crônicas de Vidas na Cadeira Odontológica, edição revisada e ampliada 2026, de Amilton Costa

 

Há 15 anos, publiquei meu primeiro livro: De Boca Aberta.

Eram crônicas sobre os encontros que eu tinha na cadeira odontológica, histórias de pacientes que me ensinaram que ouvir é tão importante quanto tratar. O livro nasceu pequeno, artesanal, quase tímido — mas carregava o coração de cada pessoa que cruzou meu caminho no SUS.

Hoje, tenho a alegria de anunciar: De Boca Aberta voltou. Revisado, ampliado e mais vivo do que nunca.

O que mudou?

Esta segunda edição não é apenas uma reimpressão. É um reencontro.

Revisitei cada crônica da primeira edição com o olhar de quem amadureceu. Ajustei palavras, refinei histórias, corrigi o que o tempo me ensinou a ver melhor. E fui além: adicionei crônicas inéditas — histórias que estavam guardadas em cadernos, em memórias, em fragmentos do blog que nunca tinham ganhado forma de livro.

Agora são 67 crônicas organizadas em 5 eixos temáticos:

  1. O "Divã" e o Imaginário Popular — O consultório como confessionário e as crenças que as pessoas carregam
  2. Retratos da Infância e Juventude — A pureza, os medos e a vulnerabilidade dos jovens
  3. As Sombras da Alma — Histórias densas sobre dor, exclusão e saúde mental
  4. Sonhos Inusitados e Excentricidades — O lado hilário e bizarro do consultório
  5. Transformações e Recomeços — Superação, esperança e a força de um novo sorriso

Por que agora?

Porque as histórias continuam surgindo.

Porque há 15 anos percebi que meu trabalho não era só sobre dentes — era sobre gente. E porque, neste tempo todo escrevendo no blog De Boca Aberta e Outras Histórias, descobri que essas narrativas ainda fazem sentido. Mais do que isso: elas são necessárias.

Num mundo que corre e que esquece de parar para ouvir, este livro é um convite. Um convite para desacelerar, para enxergar além da superfície, para perceber que cada pessoa tem uma história — e que todas elas merecem ser contadas.

Onde encontrar

De Boca Aberta: Crônicas de Vidas na Cadeira Odontológica está disponível agora na Amazon, em versão e-book (R$ 9,99) e impressa.

 Acesse todos os links:

QR Code com links para comprar o livro De Boca Aberta na Amazon e acompanhar Amilton Costa nas redes sociais


Escaneie o QR Code para:

  • 🛒 Comprar na Amazon (e-book e impresso)
  • 📸 Me seguir no Instagram
  • 👍 Curtir no Facebook
  • 📧 Entrar em contato
Ou acesse diretamente: https://linktr.ee/amiltonc

Um agradecimento

A todos que leram, compartilharam e me incentivaram ao longo desses 15 anos: muito obrigado. Vocês mantiveram essas histórias vivas. Vocês são parte delas.

Que este livro encontre novos leitores, novos corações, novas conversas. E que continue fazendo o que sempre fez: nos lembrar de que, por trás de cada boca aberta, há uma vida inteira esperando para ser ouvida.

Nos vemos nas páginas. 

Amilton Costa

Você já leu De Boca Aberta?

Se sim, conta aqui nos comentários qual história mais te marcou! E se ainda não leu, o que te deixa mais curioso?

Seus comentários significam muito! 

Ajude o livro a chegar em mais pessoas:

✅ Compartilhe este post nas suas redes
✅ Marque um amigo que gostaria de ler
✅ Deixe uma avaliação na Amazon depois de ler

Livros independentes vivem da força dos leitores. Você faz a diferença! 

 Gestão do Tempo e Propósito de Vida: O que Você Faria se Tivesse Apenas 20 Dias?

A maioria de nós vive como se o tempo fosse um recurso infinito. Adiamos conversas, engatamos o piloto automático e deixamos para amanhã a busca pela nossa verdadeira felicidade. Mas, quando falamos sobre gestão do tempo e propósito de vida, a pergunta mais inquietante não é como produzir mais, mas sim: o que realmente importa?

Uma ampulheta antiga com poeira dourada ao lado de uma pequena planta brotando de um livro aberto, simbolizando a gestão do tempo e o propósito de vida sob a luz do sol.


No meu livro "20 Dias", exploro o limite dessa urgência. Quando o relógio começa uma contagem regressiva, as distrações desaparecem e as verdades essenciais emergem.

Como alinhar sua rotina com o seu propósito de vida

Muitas vezes, a falta de tempo é apenas uma falta de prioridade. Estamos ocupados demais atendendo expectativas alheias e esquecemos de nutrir o que nos faz sentir vivos. A verdadeira gestão do tempo não é sobre preencher agendas, mas sobre garantir que o seu tempo esteja a serviço do seu propósito de vida.

Se você pudesse olhar para os seus últimos 20 dias, quanto desse tempo foi dedicado ao que realmente traz paz ao seu coração?

Pequenas escolhas que mudam grandes destinos

Não precisamos de uma tragédia para começar a viver com intenção. O perdão que você retém, o sonho que você guarda na gaveta e o "eu te amo" que fica preso na garganta são as peças que compõem o mosaico da nossa existência. O livro "20 Dias" é um convite para essa pausa reflexiva: um chamado para despertar antes que o tempo se esgote.


 Dê o próximo passo na sua jornada Se este texto fez você refletir, a história completa de "20 Dias" pode transformar sua perspectiva sobre a vida.

👉 Leia uma amostra grátis ou adquira na Amazon clicando aqui

Sua avaliação na Amazon é o maior presente que um autor independente pode receber. Se você já leu, conte-nos como foi sua experiência!



 

Máscaras Sociais: O Cansaço de Fingir e a Busca pela Autenticidade e Saúde Emocional

Por que a autenticidade é o caminho para uma vida mais leve?




Representação de máscaras sociais e a busca pela autenticidade e saúde emocional.


   Viver com autenticidade e saúde emocional tornou-se um desafio em um mundo que nos exige máscaras constantes. Muitas vezes, nos perdemos equilibrando papéis. Somos o profissional impecável, o amigo sempre disponível, o familiar que não falha. Sorrimos quando queremos chorar e dizemos "está tudo bem" enquanto o mundo desaba por dentro. Criamos máscaras tão bem feitas que, com o tempo, corremos o risco de não reconhecer o rosto que nos encara de volta no espelho.

Por que a autenticidade é o caminho para uma vida mais leve?

    No meu livro "20 Dias", essa é uma das dores mais latentes: o momento em que a máscara racha. Não porque somos fracos, mas porque a alma cansa de fingir. Cansa de carregar o peso das expectativas alheias e de tentar caber em molduras que nos apertam.

    A verdade é que a liberdade só começa quando temos a coragem de ser imperfeitos. Quando aceitamos que nossas cicatrizes e nossas dúvidas fazem parte da nossa beleza. A verdadeira conexão com as pessoas não acontece através da nossa perfeição, mas através da nossa vulnerabilidade. É quando deixamos a máscara cair que as mãos certas conseguem nos tocar o coração.

O papel da saúde emocional na jornada de recomeço

    Se hoje você sente o peso desse disfarce, talvez seja a hora de começar a sua própria jornada de 20 dias. Não para mudar quem você é, mas para retirar o que você não é. A vida é curta demais para sermos apenas um personagem na nossa própria história. Leia também: Quanto de você ainda cabe em 20 dias? Uma reflexão sobre o tempo e nossas escolhas.

    Tire a máscara. Respire fundo. O mundo pode até se surpreender com a sua verdade, mas a sua paz não terá preço.

    E você? Qual máscara tem sido mais pesada de carregar ultimamente?

Gostou desta reflexão?

Se essas palavras tocaram você, convido-o a mergulhar ainda mais fundo na jornada completa. O livro "20 Dias" está disponível na Amazon, e você pode ler uma amostra gratuita ou adquirir a obra completa clicando no link abaixo:

👉 Clique aqui para ler "20 Dias" na Amazon

Como você pode me ajudar? Se você já leu ou vai ler agora, sua avaliação e comentário na Amazon são fundamentais para que essa mensagem chegue a mais pessoas. Cada estrela e cada palavra deixada lá ajuda imensamente o meu trabalho como autor independente.

Vamos espalhar essa luz juntos?


                                                    -Amilton Costa

 

A Arte de Recomeçar nos Infinitos Fins da Vida

Por que temos tanto medo de fechar capítulos, se é no ponto final que a nova frase ganha vida?



      Ninguém nos ensina a dizer adeus. Aprendemos a celebrar as chegadas, os primeiros passos, os começos entusiasmados. Mas a vida, na sua sabedoria silenciosa, é feita de términos constantes. Um ciclo que se fecha no trabalho, uma amizade que silencia, um amor que muda de forma ou aquela versão de nós mesmos que já não nos serve mais.

      No meu livro "Infinitos Fins", mergulhei nessa dualidade. Muitas vezes, o que chamamos de "fim" é apenas a vida nos obrigando a virar a página para que o novo tenha espaço para florescer. O problema é que ficamos tanto tempo olhando para a porta que se fechou, que não percebemos as janelas que se abriram logo ao lado.

      Viver esses "infinitos fins" não é sobre frieza, é sobre coragem. É aceitar que algumas coisas são eternas enquanto duram, e que a beleza está justamente nessa impermanência.

      Se você está atravessando um encerramento hoje — seja ele qual for — não encare como uma derrota. Encare como o rascunho de um novo começo. Afinal, para o sol nascer amanhã, ele precisa, inevitavelmente, se despedir do dia de hoje.

      E você, qual capítulo da sua vida você sente que está pronto para receber um ponto final e dar lugar a uma nova história?


                                                             -Amilton Costa

 


Quanto de Você Ainda Cabe em 20 Dias?

O tempo não é apenas o que passa no relógio, mas o que fazemos com as pausas que a vida nos impõe


Capa do artigo sobre o livro 20 Dias.



  

    Dizem que são necessários 21 dias para se criar um novo hábito. Mas eu descobri, entre silêncios e páginas em branco, que bastam 20 dias para uma vida inteira ser questionada, revirada e, finalmente, reconstruída.

    Muitas vezes, passamos anos no modo automático. Acordamos, cumprimos tarefas, sorrimos por educação e guardamos nossas angústias em gavetas que nunca abrimos. Até que o destino, ou a nossa própria alma, decide que é hora de parar. Foi dessa pausa forçada, desse mergulho profundo no espelho, que nasceu a essência do que compartilho com vocês.

    Em meu livro "20 Dias", a jornada não é sobre uma viagem geográfica, mas sobre uma expedição para dentro de si mesmo. É sobre o peso das verdades que omitimos e a leveza que sentimos quando finalmente decidimos ser honestos com quem somos.

    Quantas vezes você já sentiu que precisava apenas de um tempo para recalcular a rota?

    Nossas "Pílulas de Reflexão" (que preparei com tanto carinho para os apoiadores da página) são pequenos fragmentos dessa descoberta. Elas nos lembram que o tempo é um recurso finito, mas a nossa capacidade de recomeçar é infinita. Se hoje você sente que está apenas "passando pelos dias", talvez seja o momento de permitir que os dias passem por você, deixando marcas, lições e, acima de tudo, mudanças.

    Não espere uma crise para se reencontrar. Às vezes, 20 dias de atenção plena ao que o seu coração diz valem mais do que décadas de uma vida distraída.

    E você? Se tivesse 20 dias para mudar apenas uma coisa na sua história, por onde começaria?




-Amilton Costa

 

O Peso das Trilhas que Não Escolhemos

 Quantas trilhas podemos seguir sem nos distanciarmos de nós mesmos?



    Viver é, em grande medida, a arte de colecionar caminhos. Alguns nós escolhemos com a ponta dos dedos, cheios de certeza; outros, somos empurrados a trilhar pelo vento das circunstâncias. Mas, entre uma curva e outra, surge uma pergunta que ecoa no silêncio dos nossos devaneios: por onde andamos enquanto o mundo segue girando?

    Muitas vezes, passamos anos a fio em trilhas que não nos pertencem. Caminhamos por conveniência, por medo de decepcionar alguém ou simplesmente porque esquecemos de consultar o nosso próprio mapa interior. O perigo não é o cansaço da caminhada, mas o momento em que olhamos para os lados e não reconhecemos mais os nossos próprios passos.

    Em meu livro "De Boca Aberta", escrevi: “Quantas trilhas podemos seguir sem nos distanciarmos de nós?”. Essa não é apenas uma frase de efeito, é um convite ao inventário da alma.

    O grande impacto da vida não está na ausência de erros, mas na força que nos impulsiona a mudar de rota. Se hoje você sente que a trilha está pesada ou que a paisagem já não faz sentido, lembre-se: recomeçar exige honestidade. Exige a coragem de admitir que alguns labirintos foram vasculhados exaustivamente e que, talvez, seja a hora de buscar a saída.

    Não existem dias pequenos quando decidimos voltar para casa — e essa casa, quase sempre, somos nós mesmos. Que a cura para os seus "venenos diários" chegue sem culpa, permitindo que você desenhe uma rota onde a sua essência seja, finalmente, a bússola principal.

    Esta busca por não nos distanciarmos de nós mesmos é o coração de tudo o que escrevo. Trechos como este fazem parte das reflexões que amadureci ao longo dos anos e que hoje ganham vida nas páginas de 20 Dias. Se você sentiu que estas palavras tocaram em algum ponto da sua própria caminhada e deseja levar essas reflexões para a sua cabeceira, o livro está disponível para te acompanhar em cada novo recomeço.

    E você? Sente que está na trilha certa ou está em busca de um novo recomeço? Conte-me nos comentários.

-Amilton Costa

 

O Inventário das Gavetas




   Sempre houve um mundo acontecendo enquanto o consultório estava em silêncio. Por anos, guardei fragmentos de conversas, olhares de soslaio e a poesia escondida na rotina de quem passava pela minha cadeira. Eram histórias que não cabiam em fichas técnicas, mas que transbordavam para o papel nas horas vagas.

   Hoje, decidi que essas memórias não pertencem mais apenas ao fundo das gavetas. Este espaço renasce para ser o que sempre foi em essência: um abrigo para crônicas, romances e a sensibilidade do dia a dia.

   Sou Amilton Costa, e daqui para frente, convido vocês a serem meus companheiros nessa jornada literária. Vamos observar as rotinas, colecionar memórias e descobrir, juntos, o que há por trás das palavras.

Sejam bem-vindos de volta.

-Amilton Costa