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De Boca Aberta está de volta! 15 anos depois, as histórias ganham nova vida

Relançamento do livro "De Boca Aberta: Crônicas de Vidas na Cadeira Odontológica" — Edição Revisada e Ampliada 2026


Capa do livro De Boca Aberta: Crônicas de Vidas na Cadeira Odontológica, edição revisada e ampliada 2026, de Amilton Costa

 

Há 15 anos, publiquei meu primeiro livro: De Boca Aberta.

Eram crônicas sobre os encontros que eu tinha na cadeira odontológica, histórias de pacientes que me ensinaram que ouvir é tão importante quanto tratar. O livro nasceu pequeno, artesanal, quase tímido — mas carregava o coração de cada pessoa que cruzou meu caminho no SUS.

Hoje, tenho a alegria de anunciar: De Boca Aberta voltou. Revisado, ampliado e mais vivo do que nunca.

O que mudou?

Esta segunda edição não é apenas uma reimpressão. É um reencontro.

Revisitei cada crônica da primeira edição com o olhar de quem amadureceu. Ajustei palavras, refinei histórias, corrigi o que o tempo me ensinou a ver melhor. E fui além: adicionei crônicas inéditas — histórias que estavam guardadas em cadernos, em memórias, em fragmentos do blog que nunca tinham ganhado forma de livro.

Agora são 67 crônicas organizadas em 5 eixos temáticos:

  1. O "Divã" e o Imaginário Popular — O consultório como confessionário e as crenças que as pessoas carregam
  2. Retratos da Infância e Juventude — A pureza, os medos e a vulnerabilidade dos jovens
  3. As Sombras da Alma — Histórias densas sobre dor, exclusão e saúde mental
  4. Sonhos Inusitados e Excentricidades — O lado hilário e bizarro do consultório
  5. Transformações e Recomeços — Superação, esperança e a força de um novo sorriso

Por que agora?

Porque as histórias continuam surgindo.

Porque há 15 anos percebi que meu trabalho não era só sobre dentes — era sobre gente. E porque, neste tempo todo escrevendo no blog De Boca Aberta e Outras Histórias, descobri que essas narrativas ainda fazem sentido. Mais do que isso: elas são necessárias.

Num mundo que corre e que esquece de parar para ouvir, este livro é um convite. Um convite para desacelerar, para enxergar além da superfície, para perceber que cada pessoa tem uma história — e que todas elas merecem ser contadas.

Onde encontrar

De Boca Aberta: Crônicas de Vidas na Cadeira Odontológica está disponível agora na Amazon, em versão e-book (R$ 9,99) e impressa.

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Um agradecimento

A todos que leram, compartilharam e me incentivaram ao longo desses 15 anos: muito obrigado. Vocês mantiveram essas histórias vivas. Vocês são parte delas.

Que este livro encontre novos leitores, novos corações, novas conversas. E que continue fazendo o que sempre fez: nos lembrar de que, por trás de cada boca aberta, há uma vida inteira esperando para ser ouvida.

Nos vemos nas páginas. 

Amilton Costa

Você já leu De Boca Aberta?

Se sim, conta aqui nos comentários qual história mais te marcou! E se ainda não leu, o que te deixa mais curioso?

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Crônicas de vidas na cadeira odontológica

    Depois de alguns anos escrevendo por aqui, retratando histórias e compartilhando vidas que se delinearam através das idas ao consultório odontológico. Chegou o momento de trilhar novos caminhos...
    As "Crônicas de vidas na cadeira odontológica" representam o melhor já publicado por aqui e algumas novidades, novos personagens, muitos destinos, várias possibilidades.
   Espero que as histórias contadas aqui, surgidas a partir deles-os pacientes-porque sem eles não existiria este blog, não se concretizaria o livro-possam fazer com que a Odontologia seja vista cada vez mais como parte de um todo, de um coletivo, e que possamos cada vez mais sair do consultório e chegar até milhões de desassistidos.
           Bocas, dentes e gengivas são reflexos das condições sociais, e o papel assumido pela Saúde Bucal Coletiva deve ser expandido, vivenciado, experimentado a cada momento, a cada palavra, a cada gesto...
     Estejamos sempre dispostos a ouvir, fiquemos sempre "De Boca Aberta" para o mundo...
     Entre no site do Clube de Autores, adquira o livro na versão impressa ou pdf! Deixe comentários por lá, divulgue a ideia.

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Vítima e Algoz


Lendo o Blog do Dentista, o JV me fez lembrar da época que tive todo o meu cabelo cortado e cabeça raspada com barbeador! Isso mesmo, um terror... Um trote que me fez ficar careca por um bom tempo. Acho bom nem lembrar muito...
Depois de um tempo, que de calouro você não tem mais nada, e é aí que vem a vingança. Bem,mas minha vingança não contemplou cabeças raspadas, não,nada de violência física. Mas criou uma confusão na Faculdade de Odontologia que estudava. E não posso dizer que este post também não existiria sem a célebre participação da "portuguesa",como era chamada minha amiga Indira ,que veio de Lisboa cursar Odontologia por aqui.
Eu e Indira aproveitamos a ausência do professor na sala dos calouros e fomos nos vingar. Sérios e portando documentos que nos identificavam como representantes de uma ONG que recrutava acadêmicos de Odontologia para estágio, para isso seria apenas necessário pagar uma "simbólica" taxa, e uma foto 3x4 para a ficha de inscrição. Dos 40 alunos, apenas 1 não se inscreveu porque não estava com o dinheiro e nem a foto. Mas já era suficiente... Eles caíram no nosso conto!
Pegamos as fotos e afixamos na entrada da faculdade com os dizeres: ODONTO-OTÁRIOS, e lá tinha o mapa com a chegada até o churrasco que faríamos no dia seguinte com a grana que eles deram para a tal ONG. Um dos calouros ficou irado, queria a grana de volta, e a foto dele também,claro! Fomos todos parar na coordenação do curso! Devolvemos a grana dele,mas o churrasco foi um sucesso,e os calouros também marcaram presença.
Depois desse fato, eu e Indira nos exilamos, e ficamos um bom tempo sem andar pelos corredores da faculdade.
Mas tenho certeza que pela beleza natural de Indira, dos seus olhos verdes estonteantes, acho que nenhum calouro seria otário suficiente para não ir ao churrasco...


amilton

Sim,é possível...




Vivemos tempos de mudanças, sejam sociais ou econômicas. Somos um país de dimensões geográficas tão grandes quanto díspares entre si. Quando a Odontologia ultrapassa barreiras geográficas, sociais, culturais e econômicas e chega até os mais longínquos recantos do Brasil nos deparamos com necessidades a serem transformadas,e os resultados serão obtidos a longo prazo,e através de programas pontuados na frequência de suas ações e de acesso da população à serviços odontológicos clínicos individuais e coletivos.
Muitas crianças desses distantes recantos nunca possuíram uma escova de dente, e a possibilidade de recebê-la na escola torna-se um momento único e primordial. Os problemas existem,mas comecemos a fazer a nossa parte, e quem sabe num futuro bem próximo não estaremos mais alimentado as estatísticas mundiais de "país dos desdentados", mesmo possuindo o maior número de faculdades de Odontologia.
Toda vez que vejo um rostinho desses que aí está estampado nessas fotos, acredito que tudo,sim,é possível...

amilton

Valorização da Odontologia


No Blog do Dentista tem um post bem interessante sobre Prostituição da Odontologia. Falar sobre valorização de nossa classe se torna essencial para nos posicionarmos frente à sociedade que espera bons resultados de nosso trabalho. Mas somente teremos bons resultados se tivermos boas condições de trabalho,num ambiente adequado capaz de suprir as necessidades desejadas.
Infelizmente muitos colegas ainda se submetem a trabalhos com péssima remuneração,muitas vezes em ambientes sem biossegurança, sem material adequado,sem infraestrutura nenhuma. Nosso piso salarial ainda está muito aquém do ideal. Ainda somos uma classe que necessita de mais articulação,tanto política quanto socialmente.
Muitos absurdos já aconteceram comigo durante meus 9 anos de profissão, mas polêmicas à parte cabe a cada um de nós fazer o seu papel. Se começarmos assim, possivelmente mudaremos, mesmo, em breve para algo mais positivo.
Quando eu tinha acabado de sair da faculdade ,e consegui meu primeiro emprego,um outro dentista ligou pra prefeitura que eu trabalhava e propôs trabalhar a mesma jornada que eu fazia,mas por um salário bem menor que o meu. São absurdos como esse que não devem de forma alguma acontecer,mas infelizmente acontecem. Desvalorizam nossa classe.
Espero que possamos realmente ser protagonistas dessas mudanças.


amilton




abraços

Falso Dentista


Há alguns anos atrás, um colega dentista trabalhava numa cidade vizinha à qual estou trabalhando hoje. Existe uma grande quantidade de práticos,ou seja, falsos dentistas atuando,certo que esse número vem diminuindo gradativamente graças ao constante esclarecimento da sociedade e trabalho feito pelos Conselhos Regionais de Odontologia. Mas eles ainda existem, não só aqui,mas espalhados pelo Brasil...
Mas o que quero relatar , é o fato que aconteceu especificamente com esse colega. Ele denunciou o prático que exercia ilegalmente a profissão de dentista na cidade. O Conselho Regional de Odontologia agiu rapidamente, o consultório foi fechado,o material apreendido e o falso dentista foi preso. Porém, meu colega ficou numa situação extremamente complicada. E o inesperado aconteceu...
Acreditem, a prefeita da cidade expulsou literalmente o dentista, e ainda falou:" O Dentista sai, e o prático fica,pois no período de eleição quem me ajuda é ele, e não o doutor...". O prático foi libertado, o dentista saiu da cidade sem ao menos receber o último salário...
Nada mais foi feito. Nada além disso que relatei. O falso dentista voltou a atuar num consultório montado dentro da casa dele. E como ele existem inúmeros ainda...
Citei esse caso por querer levantar questionamentos a cerca da valorização da Odontologia, do papel dos Conselhos Regionais de Odontologia, das entidades de classe como o Sindicato dos Odontologistas etc etc.
Fica aí a mensagem...


amilton



abraçoss

Dentista na Índia


A Índia que não vemos na tv!
Infelizmente, me fez lembrar uma odontologia ainda medieval,mas que está ,muitas vezes,tão perto... é só olharmos o número de "práticos" que ainda estão atuando no Brasil, claro que não nas condições desse vídeo, com procedimentos feitos na rua em uma cena de pura tortura!



amilton


Bom FDS!!!

abraçoss

Resolução do CFO


Em resolução do Conselho Federal de Odontologia (CFO) -85/2009, os termos THD(Técnico de Higiene Dental) e ACD ( Auxiliar de Consultório Dentário) passam a ser denominados TSB (Técnico em Saúde Bucal) e ASB (Auxiliar de Saúde Bucal), em deliberação do Plenário em reunião realizada em 30 de Janeiro de 2009. Esta resolução trata especificamente das atribuições do Técnico em Prótese Dentária, do Técnico em Saúde Bucal e do Auxiliar em Saúde Bucal. Depois de várias mudanças, de mobilização dos Conselhos Regionais de Odontologia, das Faculdades de Odontologia, o projeto de lei foi finalmente aprovado, após inúmeras polêmicas.

A proposta de instituição da profissão de Técnico de Higiene Dental,hoje TSB, sempre foi acompanhada de muita polêmica, desde sua proposta oficial a partir da 7ª Conferência Nacional de Saúde (Brasília, 1980). Essa resolução vem dar ênfase a um processo longo de desmonopolização do conhecimento técnico-científico, quebra do monopólio de algumas atividades clínicas realizadas pelo cirurgião-dentista. Historicamente a primeira turma de TSBs foi formada no Estado de São Paulo, em dezembro de 1988, através do Projeto Larga Escala. Hoje são inúmeros cursos espalhados pelo Brasil, tanto em instituições públicas quanto privadas. Pude participar como facilitador da formação de técnicos realizadas no Estado do Ceará através da Escola de Saúde Pública do Ceará. E o número de Técnicos em Saúde Bucal só tende a crescer. São essas as atribuições do Técnico em Saúde Bucal (TSB), disposta na resolução : Art.12. Compete ao Técnico em Saúde Bucal, sempre sob supervisão com a presença física do Cirurgião-Dentista, na proporção máxima de 1 (um) CD para 5 (cinco) TSBs, além de auxiliar em Saúde Bucal, as seguintes atividades:


a. participar do treinamento e capacitação de auxiliar em saúde bucal e de agentes multiplicadores das ações de promoção á saúde;


b. participar das ações educativas atuando na promoção da saúde e na prevenção das doenças bucais;


c. participar na realização de levantamento e estudos epidemiológicos, exceto na categoria de examinador;


d. ensinar técnicas de higiene bucal e realizar a prevenção das doenças bucais por meio da aplicação tópica de flúor, conforme orientação do cirurgião-dentista;


e. fazer a remoção do biofilme, de acordo com a indicação técnica definida pelo cirurgião-dentista;


f. supervisionar, sob delegação do cirurgião-dentista, o trabalho dos auxiliares de saúde bucal;


g. realizar fotografias e tomadas de uso odontológicos exclusivamente em consultórios ou clínicas odontológicas;


h. inserir e distribuir no preparo cavitário matérias odontológicos na restauração dentária, vedado o uso de materiais e instrumentos não indicados pelo cirurgião-dentista;


i. proceder à limpeza e à antiossepsia do campo operatório, antes e após atos cirúrgicos, inclusive em ambientes hospitalres;


j. remover suturas;


k. aplicar medidas de biossegurança no armazenamento, manuseio e descarte de produtos e resíduos odontológicos;


l. realizar isolamento do campo operatório;


m. exercer todas as competências no âmbito hospitalar, bem como instrumentar o cirurgião-dentista em ambientes clínicos e hospitalares.


Espero ter contribuído para esclarecer alguns pontos de um assunto tão polêmico e ainda desconhecido por muitos.


amilton



abraçosss

Odontologia Social


A Odontologia Social vive um momento de intensas transformações no campo político, cultural e econômico pelo qual passa nosso país. Nunca tantos brasileiros tiveram acesso a um consultório odontológico como nos últimos anos, e não estou aqui para fazer apologia a nenhum partido político, mas para enfatizar tais mudanças, mesmo que ainda poucas,mas significativas. O Brasil Sorridente inserido dentro da Estratégia de Saúde da Família, a Odontologia saindo dos consultórios e visitando os espaços sociais, realizando visitas domiciliares, distribuindo escovas, creme- dental ,fio- dental etc. São ações pactuadas como essas que fazem o diferencial. A formação cada vez maior de Técnicos de Saúde Bucal (antigo THD) aprimorando de forma qualitativa o trabalho de promoção e prevenção das doenças bucais.
Nosso SUS está fazendo 20 anos... Temos muito,mas muito mesmo que caminhar, devemos fazer a nossa parte, mesmo não trabalhando no serviço público você pode ajudar, contribuir. Pense só nos milhões de brasileiros que agora podem realizar um tratamento odontológico, e que jamais poderiam pagar por uma visita ao dentista... Está lá, na Constituição que ,"Saúde é um direito de todos e dever do Estado". Quando vejo essa frase penso no quão forte ela significa, quantos impactos ela já causou e ainda causa. Sendo mal interpretada poderia nos levar a pensar que o assitencialismo deveria imperar. Mas não, entedamos estado como muito mais além dos governantes, dos gestores, mas pensemos em cada um de nós, cidadãos brasileiros. Assistencialismo existe, é notório, mas a partir do momento que tivermos consciência de que meu mundo não gira sozinho, que as mudanças podem ser transformadas e iniciadas na minha casa,na minha rua,no meu bairro, na minha vida, estaremos criando uma políitica mais concreta,mais real.
Somos detentores de informações importantes, de conhecimentos científicos que precisam ser divulgados. A população precisa ser educada a questionar mais, a buscar mais qualidade de atendimento,mas somente fará isso se estiver engajada socialmente,politicamente. É aí que entra a Participação Popular, um dos princípios mais importantes do SUS. Os Conselhos Municipais de Saúde, Conselhos Locais de Saúde podem, sim ,representar a voz de muitos.
Vamos participar das mudanças, vamos promover uma Saúde Bucal sem exclusivismos, proselistismos, e muitos outros ismos.


amilton




abraçosss

A Floresta







Depois de alguns dias sem postar nada, não pela falta de histórias, o feriadão também não permitiu, voltar sempre é muito bom. Gostaria de falar sobre algo que me incomoda agora, na verdade sempre me incomodou, o desmatamento desenfreado de nossas florestas, o tráfico de animais indefesos, a miséria que assola nossos irmãos. Nesse feriadão pude constatar muitas coisas, e refletir sobre muitas também. Saí do Ceará de carro e cruzei o Piauí e o Maranhão chegando até Belém, no Pará, o Portal da Amazônia. Confesso que estava apreensivo e com medo de ser tão cansativo que desistiria no meio do caminho e voltaria,mas não,esse não foi nem de perto o pensamento que me acompanhou nas 18 horas de viagem. Loucura? Pode ser,mas uma loucura que eu desejava a tempos. Percebi que culturas tão diferentes,mas tão próximas de mim sobrevivem e podem nos ensinar muito. Da pobreza à riqueza cultural, tudo ao meu redor. Cansaço? Confesso que ao ver o Rio Amazonas, ao ver a floresta com toda sua magnitude, a minha energia vital se revigorou de tal forma que eu queria mais e mais... Conversar com os nativos, perceber que mesmo simples e humildes eles carregam uma bagagem culrural astrônomica. Sorrisos distorcidos pela falta de acesso a uma Odontologia que fica tão distante deles,mas não reclamam,simplesmente trabalham, vivem...
Desmatar para criar gado parece ser a iniciativa mais importante de quem tem dinheiro e acha que pode tudo, até destruir a natureza para enriquecer.
Fiquei triste e encantado por uma ave chamada Piru-piru, ave típica do litoral. Resgatada pelo Ibama, ela vivia enclausurada num apartamento. Com artrose, ela hoje vive no Mangal das Garças em Belém. Virou celebridade. Gilberto Gil e Maria Rita já foram até lá pára reverenciá-la.
Pena que foram só quatros dias. Vou voltar...

amilton


abraçosss

Engoli meu dente e agora? O que fazer e quando se preocupar


Atualização - 2026

Esta crônica foi publicada originalmente em março de 2009, depois de uma situação curiosa que aconteceu no consultório.

Como a dúvida “engoli meu dente, e agora?” continua aparecendo nas buscas, acrescentei ao final algumas informações gerais e atualizadas sobre o que pode acontecer quando uma pessoa engole um dente, uma parte de uma prótese ou outro objeto durante um tratamento odontológico.

A crônica original

Durante a rotina de atendimento, uma senhora bateu na porta do consultório e, assustada, foi logo falando:

“Doutor, engoli o dente da minha dentadura, e agora?”

Ela tinha acabado de engolir o elemento dentário de sua prótese total ao tentar “comer” um osso, isso mesmo, um osso conforme ela relatou muito eufórica.

Primeiro, não devemos comer ossos, segundo a prótese não foi feita para sustentar tanta força de pressão. Nenhuma dentadura irá reconstituir a ação mastigatória dos dentes naturais em sua totalidade, apenas 30%.

A paciente foi informada, para sua tranquilidade, que o elemento seria eliminado naturalmente. E que uma outra dentadura fosse confeccionada. E que desse mais atenção aos cuidados na alimentação, pois a dentadura, mesmo sendo bem adaptada, não reconstituirá a ação mastigatória suficientemente.

A perda precoce dos dentes ainda é uma realidade, e à medida que a pessoa vai envelhecendo essa tendência aumenta cada vez mais. Os pacientes aparelhados necessitam de orientações quanto ao uso adequado de sua dentadura, bem como da alimentação, cuidados de higiene e troca da prótese.

Promover a saúde é muito importante, estaremos formando uma nova geração de adultos sem cárie, e com baixo número de edêntulos. Promoção e prevenção para crianças e adolescentes, e cuidados especiais com programas voltados para atenção aos idosos para que tenham uma vida mais saudável...

abraçoss

Engoli um dente. E agora?

A primeira coisa é não entrar em pânico.

Quando um objeto é realmente engolido, ele segue para o aparelho digestivo. Muitos objetos pequenos conseguem passar naturalmente pelo trato gastrointestinal e acabam sendo eliminados sem necessidade de tratamento.

Mas existe uma diferença importante entre engolir e aspirar um objeto.

Quando algo é aspirado, em vez de seguir para o estômago, pode entrar nas vias respiratórias. Essa situação pode ser mais séria, principalmente se houver dificuldade para respirar ou sensação de que o objeto ficou preso na garganta.

Por isso, depois de perder um dente, uma parte de uma prótese ou outro objeto durante uma refeição ou procedimento odontológico, é importante primeiro verificar se a pessoa está respirando normalmente e se consegue engolir.

Engolir um dente faz mal?

Na maioria das situações, um pequeno objeto que chega ao estômago consegue passar naturalmente pelo aparelho digestivo.

Entretanto, o risco depende de características como tamanho, formato e material do objeto, além dos sintomas apresentados pela pessoa.

Um pequeno elemento dentário não deve ser tratado da mesma maneira que uma prótese inteira, um objeto grande ou um objeto pontiagudo.

Por isso, cada situação precisa ser avaliada de acordo com as circunstâncias.

O que fazer se você engoliu um dente?

Se você tem certeza de que engoliu o objeto, está respirando normalmente, consegue engolir e não apresenta sintomas importantes, não há motivo para entrar em pânico.

Em muitos casos, pequenos objetos passam espontaneamente pelo aparelho digestivo.

O mais importante é observar o próprio estado de saúde e procurar orientação profissional caso apareçam sintomas ou exista dúvida sobre o que realmente aconteceu.

Se não for possível saber se o objeto foi engolido ou aspirado, a situação merece maior atenção.

E se eu tiver engolido uma dentadura ou uma prótese inteira?

Essa é uma situação diferente.

Uma prótese inteira é muito maior do que um pequeno elemento dentário e pode apresentar formato irregular. Dependendo do caso, ela pode ficar presa no esôfago ou em alguma região do aparelho digestivo.

Por isso, engolir uma prótese inteira merece avaliação médica.

Não é uma situação para simplesmente esperar em casa sem orientação, principalmente se houver dor, dificuldade para engolir, vômitos ou qualquer outro sintoma.

E se eu não souber se engoli ou aspirei?

Essa talvez seja uma das situações mais importantes de observar.

Se você perdeu um dente, uma parte de uma prótese ou outro objeto e não sabe onde ele foi parar, preste atenção principalmente à respiração.

Sinais que exigem atenção

Procure atendimento médico rapidamente se houver:

  • dificuldade para respirar;
  • falta de ar;
  • tosse intensa ou persistente;
  • sensação de objeto preso na garganta;
  • dificuldade para engolir;
  • alteração importante da voz;
  • dor no peito.

Esses sintomas podem indicar que o objeto não seguiu simplesmente para o aparelho digestivo e pode ter entrado nas vias respiratórias.

Em caso de dificuldade respiratória importante, a situação deve ser tratada como urgência médica.

Quando procurar atendimento depois de engolir um objeto?

Mesmo quando a pessoa acredita ter engolido o objeto, alguns sintomas justificam avaliação médica.

Procure atendimento se surgirem:

  • dificuldade para engolir;
  • dor persistente;
  • dor abdominal;
  • vômitos;
  • sangue nas fezes;
  • fezes muito escuras;
  • sensação de que o objeto ficou preso;
  • piora do estado geral.

Também é recomendável buscar orientação quando o objeto for grande, pontiagudo, irregular ou quando houver qualquer dúvida sobre o que foi engolido.

Uma coisa é engolir. Outra é aspirar.

Essa diferença merece ser repetida porque é fundamental.

Engolir significa que o objeto entrou no aparelho digestivo.

Aspirar significa que o objeto entrou nas vias respiratórias.

As duas situações podem acontecer quando um pequeno objeto se solta durante um procedimento odontológico.

A diferença é importante porque a aspiração pode comprometer a respiração e, dependendo do caso, exigir atendimento médico imediato.

Por isso, se alguém perder um dente, uma prótese ou outro objeto e não souber se o engoliu ou aspirou, não deve simplesmente presumir que o objeto foi para o estômago.

E a história daquela paciente?

No caso que deu origem a esta crônica, tudo aconteceu de uma maneira bastante inusitada.

A paciente não estava simplesmente fazendo uma refeição tranquila quando percebeu que havia engolido o dente.

Ela estava tentando “comer” um osso com a dentadura.

E foi assim, no meio da rotina do consultório, que surgiu uma das perguntas mais curiosas que já ouvi de uma paciente:

“Doutor, engoli o dente da minha dentadura, e agora?”

Naquele momento, a preocupação dela era completamente real.

Para mim, porém, a situação acabou se transformando em uma daquelas histórias de consultório que ficam na memória.

E, muitos anos depois, ela continua curiosa.

Uma crônica de 2009 que continua atual

Quando escrevi este texto, em março de 2009, simplesmente cheguei do consultório e coloquei no blog aquilo que ainda estava fresco na minha cabeça.

Não havia estratégia de SEO.

Não havia planejamento de palavras-chave.

Não havia ferramenta dizendo o que as pessoas estavam pesquisando.

Era simplesmente uma história curiosa que tinha acontecido naquele dia.

E talvez seja justamente por isso que ela tenha sobrevivido tão bem ao tempo.

Hoje, olhando para ela novamente, quase duas décadas depois, percebo uma coisa curiosa:

às vezes, uma boa história já nasce com a pergunta que alguém vai fazer muitos anos depois.

Perguntas frequentes

Engolir um dente pode fazer mal?

Na maioria dos casos, pequenos objetos que chegam ao aparelho digestivo passam naturalmente. Porém, o risco depende do tamanho, formato e características do objeto e dos sintomas apresentados.

Se houver dor, dificuldade para engolir, vômitos, dificuldade para respirar ou qualquer outro sintoma preocupante, procure atendimento médico.

Quanto tempo demora para um objeto engolido sair?

O tempo pode variar de acordo com o objeto e com o funcionamento do aparelho digestivo de cada pessoa.

Pequenos objetos podem ser eliminados naturalmente, mas não é recomendável tentar acelerar esse processo por conta própria.

Engolir uma dentadura é diferente de engolir um dente?

Sim.

Um pequeno elemento dentário e uma prótese inteira são objetos muito diferentes em tamanho, formato e características.

Uma prótese inteira pode ficar presa no trato digestivo e, por isso, merece avaliação médica.

Como saber se aspirei um dente?

Não é possível determinar isso com segurança apenas pela internet.

Tosse persistente, dificuldade para respirar, sensação de objeto nas vias aéreas, alteração da voz ou dor no peito são sinais que justificam avaliação médica.

Preciso ir ao médico se engoli um dente?

Nem todo caso exige atendimento de emergência. Se o objeto for pequeno, tiver sido realmente engolido e a pessoa estiver sem sintomas, ele pode passar naturalmente pelo aparelho digestivo.

Por outro lado, objetos grandes ou pontiagudos, próteses inteiras, sintomas importantes ou dúvida sobre aspiração são situações que justificam avaliação profissional.

Uma pergunta que atravessou quase duas décadas

Quando publiquei esta história em 2009, jamais imaginei que aquela pequena crônica de consultório continuaria sendo encontrada tantos anos depois.

Na época, eu apenas contei uma história.

Hoje, o Google me mostra que outras pessoas continuam fazendo praticamente a mesma pergunta:

“Engoli meu dente. E agora?”

Talvez essa seja uma das coisas mais interessantes de manter um blog durante tantos anos.

Alguns textos envelhecem.

Outros simplesmente ficam esperando o momento certo para serem descobertos novamente.

E essa história, pelo jeito, ainda tinha alguma coisa para contar.

abraçoss

Fontes e informações adicionais

As informações acrescentadas nesta atualização foram baseadas em fontes médicas e hospitalares sobre ingestão e aspiração de corpos estranhos e objetos durante tratamentos odontológicos.

Observação: este texto tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica ou odontológica individual. Em caso de dificuldade para respirar, dor intensa, dificuldade para engolir ou outros sintomas importantes, procure atendimento médico.