Muitas histórias ainda podem surgir mesmo quando você,dentista,está longe do consultório odontológico. As cruciais consultas em bares e restaurantes,lojas etc. Nunca consegui escapar de tais fatos,acho até que como ímã sofro de pressão por atração a tais fatos,ous simplesmente somos predestinados mesmo,e ponto final.
Dias de folga e resolvi voltar aonde tudo começou... O Paraíso,conforme relatei no post de mesmo nome. E o paraíso para mim,por esses dias,e por muitos em alguns anos atrás ousou atender pelo nome de Jericoacoara. Foi quando larguei a vida urbana e fui trabalhar numa Ong que atendia aos nativos da vila e paradisíaca praia. Mas essa é outra história,e se você ficou interessado clique no link anterior.
Pelas areias de Jeri,como carinhosamente ela é chamada,muitos ainda me reconheceram como dentista,e isso ressoou como uma batida no meu peito assinalando que algo poderia surgir dali. E surgiram: reencontros com velhos pacientes,velhos lugares, grandes amigos,e claro, umas olhadinhas básicas nesse ou naquele dente que incomodava. Mas nada que me roube a paciência diante de tão bela natureza... Até cair a noite,e na mesa de um bar com ares africanos uma garçonete resolveu me levar a questionar se seria melhor ela colocar uma ponte ou um 'transplante de gengiva',e confesso que a resposta nem saiu e somente a dúvida do por quê as garçonetes me perseguem(não sou alcólatra,juro!).E depois de várias idas e vindas ela riu porque não sabia como seria feito o 'transplante da gengiva dela',se poderia colar a gengiva do namorado dela na boca dela...
Tive que,mais uma vez,como a alguns anos atrás,deixar Jeri...
Por esses dias irá acontecer na capital cearense o ECATESPO(Encontro Cearense de Administradores e Técnicos do Serviço Público Odontológico), e dois projetos de minha autoria foram escolhidos para serem apresentados,um sobre Tratamento Restaurador Atraumático e outro sobre Multiplicadores em Saúde Bucal.Se você estiver em Fortaleza e quiser assitir as apresentações,clique no link anterior com o site do evento.
Abraços
Onde a vida vira crônica e a literatura ganha voz. Das memórias do consultório odontológico que deram origem ao livro 'De Boca Aberta' às novas jornadas por romances, poesias e o universo das telas no 'Pipoca Literária'. Um espaço de histórias para quem ama ler, sentir e descobrir o que há por trás das palavras.
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Tão distante, Tão próximo


Durante todo o mês de Junho, o consultório odontológico público que trabalho na Estratégia de Saúde da Família passou por sérios problemas de manutenção, e foi,então, que aproveitei os dias que fiquei fora do consultório para me dedicar a uma das comunidades mais carentes dentro da minha área de abrangência da Equipe de Saúde Bucal que integro.
Separada por barreiras geográficas, com um acesso difícil e que foi extremamente dificultado pelas chuvas intensas que banharam essa região por longos dias seguidos. A única ponte de acesso à comunidade havia sido destruída, tivemos,então,que seguir por trilhas no meio de uma estrada com buracos e muita,muita lama... A menos de um ano atrás essa comunidade não sabia o que era ter luz elétrica, essa invenção secular ainda não havia chegado por lá.
A única escola da comunidade, com 78 alunos sempre nos recebeu com muita alegria, e durante cerca de 20 dias pude realizar junto à comunidade a concretização de um trabalho que começou com a realização de oficinas para capacitar os professores da escola para atuarem como multiplicadores do nosso programa de Saúde Bucal na escola; alunos e pais também foram engajados e capacitados. Por fim,relizamos a técnica de Tratamento Restaurador Atraumático (ART) na própria escola,utilizando o Ionômero de Vidro com sua comprovada eficácia.Também distribúimos escovas e creme dental para todos so alunos que se submeteram à técnica de ART,e a cada dia,antes de cada sessão,eles recebiam instrução de higiene bucal.
Muitos fatos me chamaram a atenção durante todo esse tempo. Da hospitalidae de pessoas tão carentes e que têm muito a oferecer ,até a total falta de descaso para famílias que vivem à margem da sociedade e tão próximas do progresso, da globalização,mas que parecem ter parado no tempo....
Durante a reunião com os pais dos alunos, ouvi de uma das mães o relato de que ninguém na casa dela possuía escova de dente:"Escova de dente na minha casa? È luxo...". Muito complicado, é preciso ter muita cautela para não parecer o "dono da verdade", ou o "cara que veio de fora e acha que tá certo, que pode impor". Saber ouví-los é essencial.Compartilhar o saber é crucial.
Algumas crianças me chamaram a atenção, mas especificamente uma,um garotinho de oito anos de idade,mas que aparenta ter cinco anos. Filho de pais separados, Renato vive com a mãe numa casa simples a alguns quilômetros da escola. A hora do recreio é a alegria de todos, e em especial de Renato, que repete a merenda diversas vezes,três,quatro vezes... Talvez a única refeição do dia.Renato já foi esquecido na escola por sua mãe várias vezes, então as professoras o levam pra casa delas. Incrível como elas se dedicam a eles como se fossem seus filhos. Cecília foi outra que chamou minha atenção. Cecília sofre de degeneração muscular, não faz tratamento e sua situação piora a cada dia. Mas sua mãe a leva a escola com frequência.
Renato e Cecília são apenas alguns exemplos,e suas hitórias não terminam aqui...
amilton
PS.: Os nomes são fictícios.
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