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Dos olhos de Camila

    Camila tem 4 anos de idade,e chegou ao consultório odontológico carregada pela mãe. Os olhos verdes de Camila passaram uma sensação de paz e dúvida diante do olhar assustado da garotinha.
    Mas logo toda a tranquilidade fora substituída por gritos e mais gritos de uma Camila desesperada para fugir daquele ambiente. E a mãe da garota foi enfática ao falar:
    - Não faça isso, seu pai não vai gostar!
    E eu já imaginando que seria bem melhor o pai da garota entrar no consultório para tentar acalmá-la, e falei:
    - Ele pode entrar, não vejo problema!
    Foi então que a senhora completou:
    -Ele faleceu faz uns 4 meses doutor!
    E eu ali, estático, sem saber o que dizer. Um silêncio descomunal tomou conta do lugar, e os gritos de Camila cessaram.
    -Bem, fisicamente ele não está, mas com certeza espiritualmente sim-tentei consertar.
    E aquela senhora falou coisas simples, mas de uma grandeza enorme que me fizeram entender realmente que são os momentos simples da vida que nos fazem ser muito mais do que imaginamos. E ela passou a contar em poucos minutos o destino de Camila e a perda do pai precocemente vítima de um disparo acidental de uma arma.
    Foi assim que ela relatou: encontrou o marido caído no chão depois de horas procurando-o, ela afirma que foi tudo acidental, a arma disparou sem sombra de dúvida por um erro do destino. Certamente nem ela nem ninguém pode dar as respostas, pelo menos agora não...
    E Camila ouvia tudo aquilo com seus olhos verdes e ouvidos atentos. E os gritos acabaram, e da bolsa que carregava ela retirou a foto do marido e entregou-a para a filha segurar enquanto era atendida. Lágrimas escorriam de seus olhos...
    São histórias como esta, simples, mas que carregam a marca e a força do ser humano que farão falta na minha vida. Mudanças tendem a ocorrer num futuro bem próximo, e talvez as histórias contadas aqui terão uma lacuna bem maior, como já tiveram há algum tempo quando tive que parar para me dedicar ao mestrado.Mas tudo é incerto ainda, e como os olhos verdes de Camila continuarei a olhar sempre cada vida como sendo protagonista de histórias espetaculares, simples, mas extraordinárias.
    Muitas histórias como esta estão eternizadas no livro De Boca Aberta.
    Conheça o livro:

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FONTE DA IMAGEM:

A MENINA DOS TEUS OLHOS VERDES
silvanaduboc.blogspot.com


                                  
                                        

Sem roupa e sem dente

  Muitas histórias ainda podem surgir de situações inesperadas e advindas de estranhos, de inimagináveis e improváveis pacientes que na primeira impressão me parecem tão normais quanto desejo que os sejam. Mas nem tudo é exatamente como desejamos...
   Quando uma senhora de aproximadamente 50 anos terminou de ser atendida, a sua saída da cadeira odontológica era aguardada sob a mais tranquila e"normal"ação permeada pelo sobe e desce da cadeira. A espera do próximo paciente foi,então, quebrada por um questionamento um tanto inusitado da paciente que soltou:
   -Sei que o senhor é dentista! 
   E eu pensando com cara de assustado: -E ela achou que tinha ido aonde? Ao proctologista??
  -Pelo fato do senhor ser dentista nada impede que eu possa mostrar uma mancha na minha perna, nao é mesmo?-Completou ela.
  -Mancha na sua perna? Perguntei, porém antes mesmo que eu desse o último suspiro e fechasse meus lábios aquela senhora levantou completamente a saia e deixou à mostra todo o seu corpo, e tudo para que eu pudesse dar o diagnóstico de uma "mancha".
   -A senhora pode baixar a roupa, já vi a mancha. É necessário que a senhora visite o médico porque nada posso fazer pela mancha na sua perna.
    -Já mostrei "ela"( a mancha)a muitos médicos e nada fizeram, então o senhor também olha boca e talvez entenda de perna também...
    Eu não fui entrar no mérito de discutir a questão relacional (se é que existe) entre a mancha na perna e a boca dela, mas insisti na consulta com o médico.
   Mesmo ela se mostrando reticente acredito que ajudei,pelo menos, aliviando a necessidade que a paciente tinha de mostrar a mancha da perna a um dentista.
   E ela saiu acreditando, ainda, que o dentista poderia ter resolvido o problema da mancha na perna...

Odontologia de Barzinho

Era uma noite de sábado,e naquele barzinho tocava uma música agradável.Muitas conversas, algumas bebidas e fui apresentado a uma garota muito simpática que estava acompanhada do namorado.É aí que começa o caso de hoje,vamos lá:
Depois de muitas doses de vodka a garota descobriu que eu era dentista(pensei,putz,vai começar o ritual da “olhadinha aqui,ali”),e soltou gritando(sim,ela tinha que gritar pois a música era alta demais):
-Não acredito que você é dentista?!? Juraaa???
-Sim,sou!Mas mudando de assunto,você curte essa música que tá tocando( Nessa hora tocava Me Adora,da Pitty)?
-Cuuurto!!Mas que ótimo que você é dentista!!- e ela continuou-Estou precisando mesmo ir ao dentista,mas ta muito caro,vocês cobram muito caro!!!Preciso saber qual é o dente 27!! Quel é o dente 27?( E abriu o bocão).
-O dente 27 é aquele ali ó!!-mostrei ,enquanto ela puxava minha mão pra colocar meu dedo dentro da boca dela,bem em cima do elemento 27.(Foi constrangedor,confesso).
Eu tentava mudar de assunto a todo custo,mas ela insistia,e o namorado dela já me olhava com cara de ódio.E ela soltava mais uma pérola:
-Olha só,toda vez que eu escovo meus dentes sai sangue,por que será hein???
-Provavelmente você tem gengivite(doença da gengiva,expliquei)!
-Acho que não tenho isso aí não!!! Tenho mesmo é 5 dentes cariados,e toda vez que vou no dentista ela vai obturar uma cárie e sempre tem outra colada,bem do lado,bem juntinho...( e ela fazia gestos com as mãos,gestos desconexos,completamente).
-Você usa fio dental?
-Nos dentes não!!!( e riu,riu que achei que ela tava tendo um ataque epiléptico e ia cair dura no chão)
-Pois passe a usar fio dental,vá ao dentista e obture essas suas cáries!!!
Ao som de Rehab de Amy Winehouse o namorado dela descobriu que a gengiva dela sangra direto,que ela tem vários dentes cariados,e que não gosta de usar fio dental.E depois disso tudo ela ainda abriu o bocao novamente para mostrar que os dentes dela eram tortos e que ela precisaria usar aparelho.E eu fiz o quê?Bem,eu levantei,arrastei minha amiga,peguei a dose de vodka e fui pra outro bar...

Férias,Jeri, Transplantes de gengivas e garçonetes


     Muitas histórias ainda podem surgir mesmo quando você,dentista,está longe do consultório odontológico. As cruciais consultas em bares e restaurantes,lojas etc. Nunca consegui escapar de tais fatos,acho até que como ímã sofro de pressão por atração a tais fatos,ous simplesmente somos predestinados mesmo,e ponto final.
     Dias de folga e resolvi voltar aonde tudo começou... O Paraíso,conforme relatei no post de mesmo nome. E o paraíso para mim,por esses dias,e por muitos em alguns anos atrás ousou atender pelo nome de Jericoacoara. Foi quando larguei a vida urbana e fui trabalhar numa Ong que atendia aos nativos da vila e paradisíaca praia. Mas essa é outra história,e se você ficou interessado clique no link anterior.
     Pelas areias de Jeri,como carinhosamente ela é chamada,muitos ainda me reconheceram como dentista,e isso ressoou como uma batida no meu peito assinalando que algo poderia surgir dali. E surgiram: reencontros com velhos pacientes,velhos lugares, grandes amigos,e claro, umas olhadinhas básicas nesse ou naquele dente que incomodava. Mas nada que me roube a paciência diante de tão bela natureza... Até cair a noite,e na mesa de um bar com ares africanos uma garçonete resolveu me levar a questionar se seria melhor ela colocar uma ponte ou um 'transplante de gengiva',e confesso que a resposta nem saiu e somente a dúvida do por quê as garçonetes me perseguem(não sou alcólatra,juro!).E depois de várias idas e vindas ela riu porque não sabia como seria feito o 'transplante da gengiva dela',se poderia colar a gengiva do namorado dela na boca dela...
   Tive que,mais uma vez,como a alguns anos atrás,deixar Jeri...
   Por esses dias irá acontecer na capital cearense o ECATESPO(Encontro Cearense de Administradores e Técnicos do Serviço Público Odontológico), e dois projetos de minha autoria foram escolhidos para serem apresentados,um  sobre Tratamento Restaurador Atraumático e outro sobre Multiplicadores em Saúde Bucal.Se você estiver em Fortaleza e quiser assitir as apresentações,clique no link anterior com o site do evento.
   Abraços

   



    

A Xerox do Dente



      Meses já se passaram depois que um jovem chegou ao           consultório odontológico querendo tirar ,literalmente,uma “xerox da cara dele”,como ele próprio me relatou no post intitulado A XEROX. 
Então, hoje, pela segunda vez, um outro paciente de 26 anos também usou xerox para se referir à radiografia. Diferente do primeiro, este já trazia a xerox que foi “batida”, segundo ele, por outro dentista.
       “Olha só doutor, o senhor tem que dá uma olhadinha na xerox que trouxe, que foi batida por outro doutor,antes de mexer no meu dente...”. “Olhar a xerox amigo?!? Que xerox?”. Foi aí que o outro paciente caiu na minha lembrança, e logo falei: “Radiografia, você quer dizer ?”, e ele respondeu: “Isso mesmo doutor!!! Radiocafria!!!”.
       Ele retirou a radiocafria,ops,radiografia do bolso e me entregou. E começou a falar que não entendia porque dentista tirava tanta xerox de dente,pra que serviria tanto aquilo... E conversamos sobre coisas que não podem ser vistas a olho nú,e que se escondem e que precisam ser desvendadas.Lembrei do blog Te Vejo por Dentro da  Kellen,e da importância de tanta xerox de dente no mundo. Sem elas tudo ficaria  muito mais complicado.
       E o paciente esboçou um sorriso e soltou : “É bom bater essas radiocafrias porque não doeu nadinha... gostei muito,se precisar pode mandar eu ir lá de novo doutor!!!”.
       Bem,não foi necessário,mas ele até entendeu que por debaixo de tudo que pode ser visto ainda existe muito mais a ser desvendado...

Sem Noção


   Muitas situações inusitadas podem acontecer fora do consultório odontológico quando repentinamente um desconhecido qualquer descobre que você é dentista. Muitas histórias podem ser descritas, você possivelmente já deve ter protagonizado uma em algum momento.
     No meu caso, lembro sempre das mais marcantes, como o caso da garçonete que ao descobrir que eu era dentista me perseguiu durante horas querendo mostrar a "presa" dela em plena noite no meio de drinks e muita música. Assustado, impaciente e a ponto de explodir, tudo que eu queria era sair dali, voaria se me dessem asas...
    A jovem ouviu a conversa que eu levava com uma amiga, e ao saber que estava diante de um dentista nao titubeou,foi logo falando:"O doutor é dentista é?!", e recebeu um sim quase cochichado e saiu levando o pedido da mesa. Mas ela voltou várias vezes, e toda vez soltava uma pérola como essa: "Meu dente dói a dias... Aonde o doutor atende? Quanto custa uma 'bituração'?...". Tentei desconversar,pedir outra bebida,mas já cogitava sair dali urgentemente. Foi aí que ela sumiu por um bom tempo, e pasmem, quando a avistei, ela dirigia-se para minha mesa acompanhada de um adolescente. Fingi que não vi,mas nada adiantou, ela praticamente pulou em cima de mim,pegou o jovem,abriu a boca dele e gritou: "Olha, esse é o Carlinhos, ele precisa usar aparelho?".E não satisfeita, abriu a boca dela e colocou o dedo em cima do canino e falou: "E a minha presa, será que dá pra 'biturar'?!". Sem noção, completamente sem noção um ser humano desse. E saí de lá correndo, mas como já disse voaria se tivesse a oportunidade...
    E pra encerrar, esse último aconteceu no domingo durante um show. No meio do show um casal me chama e grita(tinha que gritar,eu não escutaria com tanto barulho): "VOCÊ É O DOUTOR AMILTON ?, e respondi gritando: "SIM, SOU O AMILTON?". Inesperadamente o rapaz grita: "O DOUTOR PODE CORTAR A ORELHA DO MEU CACHORRO?". Fiquei  sem saber o que falar, e pensava ou ele tava zoando da minha cara ou ele além de sem nocão era louco,completamente louco. E respondi:"BEM AMIGO, O SHOW COMEÇOU AGORINHA, SÓ BEBI UMA DOSE DE VODKA ATÉ AGORA,DEPOIS DA TERCEIRA DOSE QUEM SABE PODEREI ARRANCAR ORELHA DE CACHORRO,MAS ACHO QUE NÃO FAREI,ADORO ANIMAIS...". O casal ficou sem entender nada, e eu muito menos,mas saí deixando eles boquiabertos... Sem nocão esse povo!
   Mas só agora descobri que existe por essas bandas um veterinário chamado Amilton, daí o cara querer que durante o show que eu cortasse a orelha do cachorro dele. Inviável o processo...
   Também cheguei à conclusão que veterinários,psicológos,advogados,médicos,dentistas,somos todos alvo das possíveis "consultas" fora de lugar, de situação,e completamente sem noção mesmo...

Dia do Dentista



       Hoje, 25 de Outubro, comemora-se o dia do Dentista. Nos versos de Drummond minha homenagem:



“ DENTADURAS DUPLAS ”


“ Dentaduras duplas !
Inda não sou bem velho
para merecer-vos...
Há que contentar-me
com uma ponte móvel
e esparsas coroas.
(Coroas sem reino,
os reinos protéticos
de onde proviestes
quando produzirão
a tripla dentadura,
dentadura múltipla,
a serra mecânica,
sempre desejada,
jamais possuída.
que acabará
com o tédio da boca,
a boca que beija,
a boca romântica ?...)

Resovin ! Hecolite !
Nomes de países ?
Fantasmas femininos ?
Nunca: dentaduras,
engenhos modernos,
práticos, higiênicos,
a vida habitável:
a boca mordendo,
os delirantes lábios
apenas entreabertos
num sorriso técnico
e a língua especiosa
através dos dentes
buscando outra língua,
afinal sossegada...
A serra mecânica
não tritura amor.
E todos os dentes
extraídos sem dor.
E a boca liberta
das funções poético-
sofístico-dramáticas
de que rezam filmes
e velhos autores.

Dentaduras duplas:
dai-me enfim a calma
que Bilac não teve
para envelhecer.
Desfibrarei convosco
doces alimentos,
serei casto, sóbrio,
não vos aplicando
na deleitação convulsa
de uma carne triste
em que tantas vezes
me eu perdi.

Largas dentaduras,
vosso riso largo
me consolará
não sei quantas fomes
ferozes, secretas
no fundo de mim.
Não sei quantas fomes
jamais compensadas.
Dentaduras alvas,
antes amarelas
e por que não cromadas
e por que não de âmbar ?
de âmbar ! de âmbar !
feéricas dentaduras,
admiráveis presas,
mastigando lestas
e indiferentes
a carne da vida ! ”

Carlos Drummond de Andrade 
          

A Criança em mim...


   Contaminado pela saudosismo do dia das crianças, fui levado à pensar quanto ainda podemos crescer e aprender, não só fisicamente mas também intelectual e moralmente.
   Durante todo esse tempo escrevendo por aqui, muitas crianças me fizeram parar e pensar o quanto ainda preciso evoluir, o quanto ainda preciso aprender, crescer...
   Histórias de Ricardos, Marianas, Carlos e muitos outros encheram o blog de alegrias, sonhos, e muitas, muitas percepções da vida sob vários aspectos,e sempre, sob o olhar atento deles, os pacientes...
   E quando criança também somos levados a questionar, a crer no inimaginável, a sonhar...         
   Muitos colegas 
dentistas,principalmente os de minhas relações pessoais ,ainda alegam falta de tempo quando o assunto é compartilhar e aprender sobre a profissão ou vivência através de um espaço como este. Aproveito para compartilhar da inciativa do blog Markenting em Odontologia e seu MovimentoOdontologia na Internet, que visa integrar e atrair mais colegas para espaços como este.
   Criar um blog não é um bicho de sete cabeças, e não vai tomar tanto seu tempo assim. Confesso que eu pensava o contrário antes, mas fui contaminado pela ação benéfica de tudo que se compartilha por aqui.
   Você pode utilizar vários serviços gratuitos, como este que utilizo, Blogger,ou qualquer outro servidor e mandar ver. Basta ter paciência, pois no começo você precisará dela para estudar um pouco, caso não tenha familiaridade. Mas vale a pena!
   Então, nada melhor do que aproveitar o dia das crianças para começar... 

              amilton 
     

             


            

O Pé do Meu Dente III ou O Bicho da Cárie


Quando Marcelo soube que iria ao dentista na manhã seguinte ,seu coração disparou. Mas ele não sabia explicar se era de medo, de curiosidade, ou de "algo" que pudesse fugir das suas expectativas de um menino de apenas 8 anos de idade.
Da última visita restou apenas um dente de leite guardado debaixo do travesseiro à espera,incansável, pela "suposta" Fada do Dente, que a mãe de Marcelo jura que não é ela... Sim, o dente de leite foi miraculosamente substituído por uma nota de dez reais, e Marcelo sabe que fadas podem até existir,mas que não andam distribuindo "grana" assim não, debaixo de travesseiros.
Para Marcelo, os sonhos são a melhor forma de fugir da pressão e rotina de acordar,ter que ir pra escola, estudar, e,pior, ter que acordar mais cedo porque sua mãe o levará ao dentista.
Nos sonhos de Marcelo os dentes têm vida, tomam formas,aparecem e vivem por conta própria. E foi justamente, na noite anterior da ida ao dentista ,que Marcelo acordou rodeado de doces. Eram muitos,muitos doces, e ele não acreditava no que via, só pensava em devorar tudo aquilo bem depressa, pois vai que não era real e "cabum",ele acorda. No meio de tudo aquilo apareceram vários dentes que Marcelo passou a chamar de "Soldados Molares", e estes tentaram em vão arrancar Marcelo dali.Mas o susto maior veio depois,porque mais doces começaram a cair na cabeça de Marcelo, e por fim ,um ser fantasmagórico tomou conta da cena, era o "Bicho da Cárie" que tentava convencer o garoto a comer mais e mais doces. Mas os "Soldados Molares" trouxeram reforços, e como num passe de mágica apareceram de uma só vez "Dona Fadinha Escovinha" e o "Super-Flúor", dois super-heróis que Marcelo jura,ainda hoje, que existem de verdade. E o Bicho da Cárie foi destruído por Dona Fadinha Escovinha e pelo Super-Flúor, e com a ajuda dos Soldados Molares Marcelo caiu na real, e viu que comer doces demais pode causar cáries, e que escovar os dentes é o melhor caminho...
E Marcelo acordou mais uma vez achando que tudo era real, e que sonho mesmo era ir ao dentista com sua mãe.

amilton

Que diabo é isso doutor?!?


Muitos pacientes hipocondríacos e "pitiátricos" visitam a Unidade de Saúde da Família à qual trabalho. Toda semana os mesmos rostos se repetem na ânsia de recebrem os mesmos medicamentos,e sempre,quase sempre, são as mesmas reclamações,os mesmos problemas que já se tornaram crônicos na cabeça deles. Muitos já chegaram até o consultório odontológico simplesmente porque estavam querendo aquele "remedinho". E depois de incansáveis minutos tentando esclarecer que remédio somente prescrito na devida necessidade,lá estão eles na outra semana.
Durante esses dias,uma senhora, frequentadora assídua dos corredores da unidade de saúde, levou a filha adolescente para o dentista. Nada foi encontrado ,nenhuma cárie,nada,mas a mãe da paciente relutava e afirmava que algo estava errado com a boca da filha dela. Não podia ser, a filha dela tinha que ter a doença cárie. Fiquei ouvindo ela falar: "Mas doutor, ela tem sim a doença na boca", e olhava pra adolescente e retrucava-"Num é menina, diz ai que tu sente dor na garganta..."- e a adolescente,tadinha, coagida a afirmar que sentia dores na garganta. Daí falei que então ela seria encaminhada para o médico que estava na sala o lado,e então ela disse: "No médico? Não,ele já disse que ela num tem nada,por isso estou com ela aqui porque o senhor vai ver que ela tem problema na boca sim...". Depois de muito conversar com ela, nada adiantava para apagar,deletar da cabeça dela que a filha não tinha nenhum problema físico. Cheguei a pensar,mas não falei ,que quem percisa de tratamento é ela, a mãe e não a adolescente coagida pelos caprichos de uma mãe atormentada pela hiponcria e que tenta repassar os problemas que estão na cabeça dela, a mãe,para a filha. Ela saiu insatisfeita...
No outro dia lá estava ela novamente, com a filha mais nova, reclamando que a garota estava com um caroço na boca e devia ser câncer. Na idade dela,8 anos,bem pouco provável que seja câncer de boca,falei. Ao proceder ao exame clínico encontrei no lábio inferior da garota um pequeno mucocele,provavelmente ocasionado por trauma físico local. Expliquei para a senhora o que significava aquele "carocinho" que já estava a dois meses lá,segundo relato da paciente. Foi feito pequeno procedimento de marsupialização da lesão. No final,nas recomendações, falei à senhora de todos os cuidados pós-operatórios que ela deveria ter com a filha, e atentei para alimentação que deveria ser pastosa naquele dia. Então ela saltou falando: "Pastosa, que diabo é isso doutor? Aonde eu acho esse remédio? Prescreve aí!!". Confesso que fiz esforço grande para não rir na cara dela, e xpliquei que pastosa é o tipo de alimentação,de comida que deveria ser mais líquida e não sólida,dura etc. Ela parece que não gostou muito não,enxerguei no olhar dela uma certa tristeza,talvez porque ela esperasse que pastosa fosse um remédio que ela levaria para casa. E ela saiu levando a filha, faz dois dias e eu ainda não a vi pelos corredores da unidade de saúde.
Mas ela voltará, com certeza voltará...


amilton


Doug Funny no Dentista


Quando aquele garotinho de quatro anos de idade sentou na cadeira odontológica, suas primeiras palavras foram: " Sou o Doug Funny!". Bem,pensei,tudo bem, e lembrei já ter assistido a alguns episódios dessa série de desenhos animados que fizeram sucesso no começo da década de 90,e que agora,segundo o mais novo fã,os desenhos de Doug o inspiraram.
O pai do pequeno paciente disse que o filho havia assistido a um desenho do Doug no qual aparecia um dentista,e aí o pequeno perguntou: "Você é o cara do dente do Doug???" Respondi que não, que não era o cara do dente do Doug, e já esperava prantos de choro do garotinho por talvez ter destruído os sonhos dele. Mas daí ele respondeu: "Ainda bem...". Também na hora não entendi o "ainda bem" dele,mas imaginei...
Agora pesquisando, descubro um episódio no qual o persongem Doug sofre de dores de dente, O Desatre Dental , e passa a noite tendo pesadelos imaginando sua ida ao dentista. Ainda bem que não afirmei ser "o cara do dente do Doug" quando o garotinho perguntou.
Durante todo o exame ele insistiu que era o Doug Funny, e eu já estava acreditando ser possível tal comparação,se não fosse pela idade. Doug não tem quatro anos, é bem mais velho,tem 11 anos e meio e adora escrever num diário , é apaixonado por Paty Maionese, tem um cachorro chamado Costelinha,uma irmã descolada, a Judi, que faz teatro, e seu melhor amigo é o Skitter. Doug "viaja" na imaginação, talvez por isso o pequeno paciente queria tanto ser o personagem.
Pelo menos, o garotinho não disse ser um daqueles monstros japoneses que infestam as telas das tvs diariamente em lutas descomunais. Menos mal...

amilton

A História de Ricardo


Quando encontrei Ricardo pela primeira vez ele parecia um garoto de cinco anos muito tímido,mas bastaram algumas palavras para a timidez dar lugar a largos sorrisos no rosto e muitas,muitas histórias contadas por Ricardo...
Cursando a pré-escola, mas com oito e não com cinco anos como aparenta, Ricardo é o centro das atenções aonde passa. A timidez logo dá lugar a uma metralhadora ambulante que fala,fala e fala. E as palavras saem,muitas vezes,sem nexo, mas vão ganhando sentido à medida que entramos no mundo particular dele,e damos vazão às suas histórias que correm soltas,livres.
A sua experiência com dentista era zero,ele nunca teve acesso ao consultório odontológico,e descobrimos ao lhe dar uma escova de dente que aquele não era um hábito na sua vida. Não tinha noção de como segurar a escova, de como usá-la. Fomos perseverantes com Ricardo, seguramnos diversas vezes suas mãos e repetimos incontáveis vezes a técnica de escovação. No final, ele já estava fazendo tudo sozinho. E sentiu-se orgulhosos por ter aprendido tudo. Era só olhar o sorriso que estampava seu rosto.
Ricardo não nos deixou um só minuto durante os dias que estivemos na escola que ele estuda. Alguns coleguinhas que se recusavam a realizar as atividades educativas em Saúde Bucal eram encorajados por Ricardo a perderem seus medos e seguí-lo,e ele preocupava-se com seus amiguinhos. Exemplo de amizade e carinho por quem não recebe tanto diariamente. Ricardo é filho de pais separados,mora com a mãe eo padrasto numa casa simples,e frequenta a escola a alguns quilômetros de casa.
Vimos ele repetir por duas,até três vezes a merenda que era servida,talvez a única refeição do dia.
De algumas de suas histórias ficou a lembrança de que ele adoraria ganhar um celular de presente, e o passatempo predileto de Ricardo era fazer ligações imaginárias para um número que só existia na cabeça dele. E ele conversava,conversava e ia levando um diálogo todo improvisado através de seu celular imaginário. Em nosso último dia naquela escola demos de presente um celular de brinquedo para Ricardo. Agora fico relembrando a primeira expressão de seu rostinho,atônito,como se não acreditasse no que estava nas suas mãos tão pequenas... Pegou o celular com muita força,talvez querendo saber se era real ou não,e de ímpeto começou a fazer ligações imaginárias,agora através de um aparelho mais físico,mais real... Ganhamos aquele dia!
Diversas vezes ele dramatizava andar numa moto,acelerava e saia correndo... os professores e alunos adoravam esssas peripecias de Ricardo,e riam,e ele também ria como se não entendesse nada.
Talvez Ricardo passe por inúmeras dificuldades diariamente,mas o que mais me chamou a atenção foi sua felicidade diária, sua capacidade de ser feliz fazendo os outros rirem de suas brincadeioras inocentes.
Que muitos Ricardos possam existir,ainda,dentro de cada um de nós...

amilton


PS.: Os nomes são fictícios,mas a história é real.

Prefiro ser eu mesmo...


Fora do consultório ,longe dos problemas diários de cada paciente, da rotina de atendimento, é sempre bom e saudável esquecer um pouco a realidade,mas sempre que descobrem que estão falando com um dentista,algumas pessoas acabam aproveitando a oportunidade e fazendo,literalmente,uma consulta na rua mesmo,no shopping,ou até mesmo em bares,restaurantes e shows. Já fui vítima de inúmeras situações... e agora,lembro-me, de uma senhora que no meio de um show descobriu que eu era dentista e passou a me perseguir,aonde eu ia lá estava ela abrindo a boca e mostrando o canino dela que "ela achava que era maior que o outro do outro lado". Bem, foi um teste de paciência, ela queria porque queria que eu cerrasse o dente dela no outro dia. Fui muito,mas muito paciente mesmo tentando explicar que não poderia cerrar o dente dela,mas que ela me procurasse no consultório.... depois de umas 3 doses de vodka falei-"Por favor,não se preocupe,amnhã eu cerrarei seu dente, e todos os outros que a senhora desejar...", e ela saiu feliz. Ela nunca apreceu no consultório,e olha que ela nem estava muito embriagada.
Outra vez foi um policial que de tanto me perturbar que precisava restaurar um dente, acabei falando que ele poderia ir ao consultório outro dia. Dia seguinte ele estava lá,com viatura e tudo,caso que já relatei no post anterior"Doutor,você está preso". Ele se consultou no meio da festa, e depois ainda foi ao consultóiiro odontológico e pregou uma tremenda pegadinha.
Prefiro ser eu mesmo... fora do consultório.



amilton

Valorização da Odontologia


No Blog do Dentista tem um post bem interessante sobre Prostituição da Odontologia. Falar sobre valorização de nossa classe se torna essencial para nos posicionarmos frente à sociedade que espera bons resultados de nosso trabalho. Mas somente teremos bons resultados se tivermos boas condições de trabalho,num ambiente adequado capaz de suprir as necessidades desejadas.
Infelizmente muitos colegas ainda se submetem a trabalhos com péssima remuneração,muitas vezes em ambientes sem biossegurança, sem material adequado,sem infraestrutura nenhuma. Nosso piso salarial ainda está muito aquém do ideal. Ainda somos uma classe que necessita de mais articulação,tanto política quanto socialmente.
Muitos absurdos já aconteceram comigo durante meus 9 anos de profissão, mas polêmicas à parte cabe a cada um de nós fazer o seu papel. Se começarmos assim, possivelmente mudaremos, mesmo, em breve para algo mais positivo.
Quando eu tinha acabado de sair da faculdade ,e consegui meu primeiro emprego,um outro dentista ligou pra prefeitura que eu trabalhava e propôs trabalhar a mesma jornada que eu fazia,mas por um salário bem menor que o meu. São absurdos como esse que não devem de forma alguma acontecer,mas infelizmente acontecem. Desvalorizam nossa classe.
Espero que possamos realmente ser protagonistas dessas mudanças.


amilton




abraços

Falso Dentista


Há alguns anos atrás, um colega dentista trabalhava numa cidade vizinha à qual estou trabalhando hoje. Existe uma grande quantidade de práticos,ou seja, falsos dentistas atuando,certo que esse número vem diminuindo gradativamente graças ao constante esclarecimento da sociedade e trabalho feito pelos Conselhos Regionais de Odontologia. Mas eles ainda existem, não só aqui,mas espalhados pelo Brasil...
Mas o que quero relatar , é o fato que aconteceu especificamente com esse colega. Ele denunciou o prático que exercia ilegalmente a profissão de dentista na cidade. O Conselho Regional de Odontologia agiu rapidamente, o consultório foi fechado,o material apreendido e o falso dentista foi preso. Porém, meu colega ficou numa situação extremamente complicada. E o inesperado aconteceu...
Acreditem, a prefeita da cidade expulsou literalmente o dentista, e ainda falou:" O Dentista sai, e o prático fica,pois no período de eleição quem me ajuda é ele, e não o doutor...". O prático foi libertado, o dentista saiu da cidade sem ao menos receber o último salário...
Nada mais foi feito. Nada além disso que relatei. O falso dentista voltou a atuar num consultório montado dentro da casa dele. E como ele existem inúmeros ainda...
Citei esse caso por querer levantar questionamentos a cerca da valorização da Odontologia, do papel dos Conselhos Regionais de Odontologia, das entidades de classe como o Sindicato dos Odontologistas etc etc.
Fica aí a mensagem...


amilton



abraçoss

Dentista na Índia


A Índia que não vemos na tv!
Infelizmente, me fez lembrar uma odontologia ainda medieval,mas que está ,muitas vezes,tão perto... é só olharmos o número de "práticos" que ainda estão atuando no Brasil, claro que não nas condições desse vídeo, com procedimentos feitos na rua em uma cena de pura tortura!



amilton


Bom FDS!!!

abraçoss

Odontologia Social


A Odontologia Social vive um momento de intensas transformações no campo político, cultural e econômico pelo qual passa nosso país. Nunca tantos brasileiros tiveram acesso a um consultório odontológico como nos últimos anos, e não estou aqui para fazer apologia a nenhum partido político, mas para enfatizar tais mudanças, mesmo que ainda poucas,mas significativas. O Brasil Sorridente inserido dentro da Estratégia de Saúde da Família, a Odontologia saindo dos consultórios e visitando os espaços sociais, realizando visitas domiciliares, distribuindo escovas, creme- dental ,fio- dental etc. São ações pactuadas como essas que fazem o diferencial. A formação cada vez maior de Técnicos de Saúde Bucal (antigo THD) aprimorando de forma qualitativa o trabalho de promoção e prevenção das doenças bucais.
Nosso SUS está fazendo 20 anos... Temos muito,mas muito mesmo que caminhar, devemos fazer a nossa parte, mesmo não trabalhando no serviço público você pode ajudar, contribuir. Pense só nos milhões de brasileiros que agora podem realizar um tratamento odontológico, e que jamais poderiam pagar por uma visita ao dentista... Está lá, na Constituição que ,"Saúde é um direito de todos e dever do Estado". Quando vejo essa frase penso no quão forte ela significa, quantos impactos ela já causou e ainda causa. Sendo mal interpretada poderia nos levar a pensar que o assitencialismo deveria imperar. Mas não, entedamos estado como muito mais além dos governantes, dos gestores, mas pensemos em cada um de nós, cidadãos brasileiros. Assistencialismo existe, é notório, mas a partir do momento que tivermos consciência de que meu mundo não gira sozinho, que as mudanças podem ser transformadas e iniciadas na minha casa,na minha rua,no meu bairro, na minha vida, estaremos criando uma políitica mais concreta,mais real.
Somos detentores de informações importantes, de conhecimentos científicos que precisam ser divulgados. A população precisa ser educada a questionar mais, a buscar mais qualidade de atendimento,mas somente fará isso se estiver engajada socialmente,politicamente. É aí que entra a Participação Popular, um dos princípios mais importantes do SUS. Os Conselhos Municipais de Saúde, Conselhos Locais de Saúde podem, sim ,representar a voz de muitos.
Vamos participar das mudanças, vamos promover uma Saúde Bucal sem exclusivismos, proselistismos, e muitos outros ismos.


amilton




abraçosss

Refinamento


Passar muito tempo sem postar algo gera uma tremenda indecisão,pois acreditem amigos,muitas histórias acontecem todos os dias,muitos casos me surpreendem diariamente. E fica,de certa forma,díficil escolher o mais adequado,então utilizo o recurso da total adequação ao meu estado pessoal. Pois é,dependendo do que sinto e que quero expressar escolho a história mais próxima da realidade a ser dividida com todos. E vamos lá!

Numa única manhã, dois pacientes me surpreenderam,o primeiro deles um jovem,devia ter uns 25 anos e chegou ao consultório reclamando que não necessitava de nenhum procedimento,apenas queria que eu fizesse um "refinamento" nos dentes dele. Sinceramente,nunca tinha feito um refinamento em odontologia,até porque não existe esse procedimento. Indaguei o paciente sobre o que ele realmente queria,e foi ai que me surpreendi mais ainda. Ele relatou que necessitava de dentes mais brancos,entao queria que eu fizesse o tal do "refinamento". Na verdade, o que ele precisava era fazer um clareamento dental. Conversei um pouco com ele e tentei explicar sobre o real procedimento e que na verdade,numa verdade crua e excludente, um consultório público não realiza clareamento,e que ele deveria procurar um consultório particular,pois o SUS não cobre esse tipo de procedimento. Foi aí que ele virou-se,olhou com espanto e perguntou: "E entao doutor,aonde eu acho esse tal de Susi?" Gargalhadas a parte,tentei resumir em alguns minutos toda a nossa política pública e que ele poderia até exigir melhor atendimento e cuidado ,pois "esse tal de SUS "deve isso a ele,pois o que parece de graça,na verdade sai muito caro através dos impostos que ele,eu e você pagamos todos os dias. Fiquei mais aliviado,o paciente pareceu entender um pouco e saiu sabendo que pode exigir mais,mesmo não recebendo o que é certo do sistema.

Nessa mesma manhã de atendimento,um outro paciente,dessa vez um senhor de 63 anos insistiu para que eu cerrasse seus dentes! Isso mesmo! Cerrar, aparar! Ele insistia que os dentes teriam que ficar iguais aos da dentadura que ele utilizava. Tive vontade de rir,mas comecei a explicar que quem estava errado era a dentadura,essa sim precisava ser consertada, ou entao, providenciar uma nova prótese. Eu já estava perdendo a paciência porque ele não aceitava a hipótese de trocar a dentadura,e sim ,queria que os dentes fossem cerrados. Depois de muitos minutos de conversa,ele chegou à conclusão que realmente a dentadura estava em péssimo estado,mesmo tendo sido feita recentemente. Foi ai que perguntei como ele tinha conseguido a dentadaura,aonde e qual dentista. Mais surpreendente foi ele afirmar que escolheu a dentadura de dentro de uma caixa com várias outras, e aquela era a que mais parecia com os dentes dele. Triste mais verdade. A marginalização de um sistema excludente,que não prioriza a equidade e muito menos as necessidades individuais dos mais carente somente acabrá resultando em problemas cada vez mais graves. Volto a repeteir a mesma questão: o sistema que extrai de forma cruel os dentes de um cidadão não é ainda capaz de repor ,de forma a garantir sua estética e fisiologia. Ele saiu do consultótio e não pude lhe garantir uma resolução viável para seu problema,a não ser que ele deveria procurar uma solução adequada,e mais cara para ter de volta seus dentes. E talvez ele nem siga essa rota...