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Sobre dentes, vida travestida e arco-íris


       Quando eu pensava que o ano acabaria melancólico, monótono, subitamente dois pacientes me deram de presente a história a seguir.
Nas primeiras horas de atendimento, véspera de fim de ano, eis que dois pacientes chegam ao consultório odontológico exalando um odor de álcool que impregnou o ambiente. O primeiro, um senhor de 65 anos, e o segundo 45 anos enfiados numa calça colada ao corpo e cabelos longos. Dispararam histórias como metralhadoras em campo de guerra. Primeiro fizeram questão de ressaltar que fossem chamados, ou melhor, chamadas, pelos nomes de Condoliza Blight (certamente alusão à Condoleezza Rice) e Emanuelle Ponto Com (isso mesmo, como um sítio na web), e não esconderam o desejo de ser feminino ao extremo. Riam a todo instante, insistiam em abraçar-me constantemente. Tornaram-se o centro das atenções como celebridades seguidas por paparazzi, porém sem flashes nem autógrafos.
O mais velho falava a todo instante: -Vida boa é a sua - e dava grandes risadas seguidas pela mesma história: a ausência de todos os dentes o estava incomodando fortemente. O que o fez sentir a falta dos dentes, segundo ele, foi terem dito que suas pernas eram lindas, porém sua boca era feia. Isso o deixou literalmente desapontado, queria desesperadamente os dentes de volta. Vestia uma saia vermelha curtíssima  para exaltar mais as pernas do que a boca desdentada.
Os dois desejaram paz, amor e um feliz ano novo para todos os presentes, resumiram em poucas palavras o que tudo significava para eles: -"Vocês podem rir, isso não faz mal, mesmo sem os meus dentes eu ainda consigo sorrir, mesmo tendo dívidas e mais dívidas eu ainda consigo sorrir, sofrendo preconceitos, humilhações, sendo ridicularizada por mentes vazias, eu ainda consigo sorrir, mesmo sabendo que vida boa é a sua...”, -falou Condoliza.
Talvez não, Condoliza Blight, talvez vida boa seja a sua, que supera diariamente preconceitos, dificuldades físicas e emocionais e as transforma em comédia, faz as pessoas rirem por puro prazer de ver um sorriso estampado em bocas que refletem aquilo que você gostaria para você. Imagens claras de um mundo que não é seu, porque o seu mundo é mais colorido, um arco-íris ilumina seu rosto.
Os dois foram orientados a retornar em outro momento para que uma prótese fosse confeccionada para Condoliza, ele insistia em ser chamado assim, e saíram de mãos dadas rindo da vida...


Conheça esta e muitas outras histórias no livro 
 De Boca Aberta: crônicas de vidas na cadeira odontológica


                                                    
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Crônicas de vidas na cadeira odontológica

    Depois de alguns anos escrevendo por aqui, retratando histórias e compartilhando vidas que se delinearam através das idas ao consultório odontológico. Chegou o momento de trilhar novos caminhos...
    As "Crônicas de vidas na cadeira odontológica" representam o melhor já publicado por aqui e algumas novidades, novos personagens, muitos destinos, várias possibilidades.
   Espero que as histórias contadas aqui, surgidas a partir deles-os pacientes-porque sem eles não existiria este blog, não se concretizaria o livro-possam fazer com que a Odontologia seja vista cada vez mais como parte de um todo, de um coletivo, e que possamos cada vez mais sair do consultório e chegar até milhões de desassistidos.
           Bocas, dentes e gengivas são reflexos das condições sociais, e o papel assumido pela Saúde Bucal Coletiva deve ser expandido, vivenciado, experimentado a cada momento, a cada palavra, a cada gesto...
     Estejamos sempre dispostos a ouvir, fiquemos sempre "De Boca Aberta" para o mundo...
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Yokut


Da rotina diária do consultório odontológico, do previsível ao inusitado, tudo pode acontecer saindo da boca de pacientes por vezes impacientes, inseguros, tristes,alegres...
Muitos confundem as relações sociais e levam para o lado sentimental beirando ao amor platônico codificado em idas ao consultório para tratamento. Foi assim com uma senhora que queria porque queria passar o carnaval comigo, e haja paciência para sair dessa saia tão justa. A ética sempre prevalece.
Hoje uma adolescente insistiu em saber se eu tinha "YOKUT". Subitamente falou: "Você tem yokut?", e eu respondi que não ,não tenho. A mesma paciente já havia deixado inúmeros bilhetinhos com flores e desenhos de corações. Até querer me adicionar no yokut dela.
Não alonguei o papo sobre a rede de relacionamento virtual confundida pela paciente, mas tratei de mudar o foco da conversa para algo mais real, sobre o tratamento dela que estava findando e algumas recomendações de higiene bucal.
E o yokut? Bem, o yokut que ,na verdade, nada mais é do que o famoso orkut , foi apenas o coadjuvante da tentativa da adolescente de começar uma conversa que não fosse restrita aos assuntos de Saúde Bucal. E o yokut ficou para trás...


amilton

A História de Ricardo


Quando encontrei Ricardo pela primeira vez ele parecia um garoto de cinco anos muito tímido,mas bastaram algumas palavras para a timidez dar lugar a largos sorrisos no rosto e muitas,muitas histórias contadas por Ricardo...
Cursando a pré-escola, mas com oito e não com cinco anos como aparenta, Ricardo é o centro das atenções aonde passa. A timidez logo dá lugar a uma metralhadora ambulante que fala,fala e fala. E as palavras saem,muitas vezes,sem nexo, mas vão ganhando sentido à medida que entramos no mundo particular dele,e damos vazão às suas histórias que correm soltas,livres.
A sua experiência com dentista era zero,ele nunca teve acesso ao consultório odontológico,e descobrimos ao lhe dar uma escova de dente que aquele não era um hábito na sua vida. Não tinha noção de como segurar a escova, de como usá-la. Fomos perseverantes com Ricardo, seguramnos diversas vezes suas mãos e repetimos incontáveis vezes a técnica de escovação. No final, ele já estava fazendo tudo sozinho. E sentiu-se orgulhosos por ter aprendido tudo. Era só olhar o sorriso que estampava seu rosto.
Ricardo não nos deixou um só minuto durante os dias que estivemos na escola que ele estuda. Alguns coleguinhas que se recusavam a realizar as atividades educativas em Saúde Bucal eram encorajados por Ricardo a perderem seus medos e seguí-lo,e ele preocupava-se com seus amiguinhos. Exemplo de amizade e carinho por quem não recebe tanto diariamente. Ricardo é filho de pais separados,mora com a mãe eo padrasto numa casa simples,e frequenta a escola a alguns quilômetros de casa.
Vimos ele repetir por duas,até três vezes a merenda que era servida,talvez a única refeição do dia.
De algumas de suas histórias ficou a lembrança de que ele adoraria ganhar um celular de presente, e o passatempo predileto de Ricardo era fazer ligações imaginárias para um número que só existia na cabeça dele. E ele conversava,conversava e ia levando um diálogo todo improvisado através de seu celular imaginário. Em nosso último dia naquela escola demos de presente um celular de brinquedo para Ricardo. Agora fico relembrando a primeira expressão de seu rostinho,atônito,como se não acreditasse no que estava nas suas mãos tão pequenas... Pegou o celular com muita força,talvez querendo saber se era real ou não,e de ímpeto começou a fazer ligações imaginárias,agora através de um aparelho mais físico,mais real... Ganhamos aquele dia!
Diversas vezes ele dramatizava andar numa moto,acelerava e saia correndo... os professores e alunos adoravam esssas peripecias de Ricardo,e riam,e ele também ria como se não entendesse nada.
Talvez Ricardo passe por inúmeras dificuldades diariamente,mas o que mais me chamou a atenção foi sua felicidade diária, sua capacidade de ser feliz fazendo os outros rirem de suas brincadeioras inocentes.
Que muitos Ricardos possam existir,ainda,dentro de cada um de nós...

amilton


PS.: Os nomes são fictícios,mas a história é real.

Tão distante, Tão próximo



Durante todo o mês de Junho, o consultório odontológico público que trabalho na Estratégia de Saúde da Família passou por sérios problemas de manutenção, e foi,então, que aproveitei os dias que fiquei fora do consultório para me dedicar a uma das comunidades mais carentes dentro da minha área de abrangência da Equipe de Saúde Bucal que integro.
Separada por barreiras geográficas, com um acesso difícil e que foi extremamente dificultado pelas chuvas intensas que banharam essa região por longos dias seguidos. A única ponte de acesso à comunidade havia sido destruída, tivemos,então,que seguir por trilhas no meio de uma estrada com buracos e muita,muita lama... A menos de um ano atrás essa comunidade não sabia o que era ter luz elétrica, essa invenção secular ainda não havia chegado por lá.
A única escola da comunidade, com 78 alunos sempre nos recebeu com muita alegria, e durante cerca de 20 dias pude realizar junto à comunidade a concretização de um trabalho que começou com a realização de oficinas para capacitar os professores da escola para atuarem como multiplicadores do nosso programa de Saúde Bucal na escola; alunos e pais também foram engajados e capacitados. Por fim,relizamos a técnica de Tratamento Restaurador Atraumático (ART) na própria escola,utilizando o Ionômero de Vidro com sua comprovada eficácia.Também distribúimos escovas e creme dental para todos so alunos que se submeteram à técnica de ART,e a cada dia,antes de cada sessão,eles recebiam instrução de higiene bucal.
Muitos fatos me chamaram a atenção durante todo esse tempo. Da hospitalidae de pessoas tão carentes e que têm muito a oferecer ,até a total falta de descaso para famílias que vivem à margem da sociedade e tão próximas do progresso, da globalização,mas que parecem ter parado no tempo....
Durante a reunião com os pais dos alunos, ouvi de uma das mães o relato de que ninguém na casa dela possuía escova de dente:"Escova de dente na minha casa? È luxo...". Muito complicado, é preciso ter muita cautela para não parecer o "dono da verdade", ou o "cara que veio de fora e acha que tá certo, que pode impor". Saber ouví-los é essencial.Compartilhar o saber é crucial.
Algumas crianças me chamaram a atenção, mas especificamente uma,um garotinho de oito anos de idade,mas que aparenta ter cinco anos. Filho de pais separados, Renato vive com a mãe numa casa simples a alguns quilômetros da escola. A hora do recreio é a alegria de todos, e em especial de Renato, que repete a merenda diversas vezes,três,quatro vezes... Talvez a única refeição do dia.Renato já foi esquecido na escola por sua mãe várias vezes, então as professoras o levam pra casa delas. Incrível como elas se dedicam a eles como se fossem seus filhos. Cecília foi outra que chamou minha atenção. Cecília sofre de degeneração muscular, não faz tratamento e sua situação piora a cada dia. Mas sua mãe a leva a escola com frequência.
Renato e Cecília são apenas alguns exemplos,e suas hitórias não terminam aqui...


amilton


PS.: Os nomes são fictícios.

Doces, Doces e Doces


Nosos valores são moldados diariamente, seja na convivência no lar, seja na escola, seja nas relaçoes no trablaho, enfim, estaremos sempre adquirindo novos valores, e mudando sempre.
Assimilar novos conceitos e novos hábitos é extremamente necessário para nos posicionarmos diante do mundo, diante de nosso mundo, de nossa vida cotidiana. Esse valores e hábitos quanto mais saudáveis melhores para cada um de nós. As noções básicas de higiene bucal devem ser iniciadas no lar, e dessa forma os pais devem dar exemplos a serem seguidos. Na prática, na grande maioria, não funciona bem assim. Muitos pais não cuidam como deveriam da saúde bucal de seus filhos, talvez não tiveram acesso a informação e não praticam bons hábitos de higiene bucal. Os filhos, então, não veem diariamente o exemplo do bom uso da escova, do fio dental, da alimentação saudáveis etc etc. Muitos ainda estão à margem de toda informação, e alguns quando possuem acesso fácil a uma variedade de informações não aplicam devidamente, não praticam.
Uma mãe tentava desesperadamente fazer com que sua filha de seis anos entrasse no consultório odontológico para consulta, mas a garotinha não mostrava interesse algum, e chorava, e chorava... Foi então que,subitamente, a mãe começou a falar alto,"-Filha, vamos entrar no consultório,quando sairmos daqui mamãe vai comprar muitos chicletes e pirulitos pra você..."".A garotinha calou-se, silêncio total, e ficaram paradas as duas na porta do consultório, e eu sem acreditar naquilo tudo, de boca literalmente aberta. A garotinha entrou, sentou na cadeira, e começamos a conversar. Separadamente conversei com a mãe e expliquei a importância de estimular uma alimentação saudável, e não o consumo exagerado de doces e balas,principalmente na porta do consultório. Vejo muitos pais e escolas estimulando o consumo de doces exageradamente,sem regras,vendidos na cantina da escola,consumidos na sala de espera do consultório.Certa vez ,eu distribui escovas e creme dental numa escola, além do trabalho educativo,e no dia seguinte o pessoal da ação social passou distribuindo chicletes, pirulitos. No dia das crianças, muitas escolas distribuem como presentes sacos e mais sacos de chicletes,pirulitos. Conversar, explicar para todos a importância de uma alimentação saudável para evitar a doença cárie,e estimular hábitos saudáveis são estratégias que devem ser constantes na rotina de trabalho,mesmo nos deparando com casos como o citado anteriormente. Mas se começarmos desde cedo possivelmente teremos um geração bem mais consciente.

amilton

Dindim contra a cárie






Muito legal esse vídeo! As crianças da pré-escola adoraram... para quem trabalha com promoção de saúde bucal o vídeo torna-se uma boa estratégia de puxar a atenção dos menores de 6 anos. Eu já usei,e aprovado por eles!!

Resolução do CFO


Em resolução do Conselho Federal de Odontologia (CFO) -85/2009, os termos THD(Técnico de Higiene Dental) e ACD ( Auxiliar de Consultório Dentário) passam a ser denominados TSB (Técnico em Saúde Bucal) e ASB (Auxiliar de Saúde Bucal), em deliberação do Plenário em reunião realizada em 30 de Janeiro de 2009. Esta resolução trata especificamente das atribuições do Técnico em Prótese Dentária, do Técnico em Saúde Bucal e do Auxiliar em Saúde Bucal. Depois de várias mudanças, de mobilização dos Conselhos Regionais de Odontologia, das Faculdades de Odontologia, o projeto de lei foi finalmente aprovado, após inúmeras polêmicas.

A proposta de instituição da profissão de Técnico de Higiene Dental,hoje TSB, sempre foi acompanhada de muita polêmica, desde sua proposta oficial a partir da 7ª Conferência Nacional de Saúde (Brasília, 1980). Essa resolução vem dar ênfase a um processo longo de desmonopolização do conhecimento técnico-científico, quebra do monopólio de algumas atividades clínicas realizadas pelo cirurgião-dentista. Historicamente a primeira turma de TSBs foi formada no Estado de São Paulo, em dezembro de 1988, através do Projeto Larga Escala. Hoje são inúmeros cursos espalhados pelo Brasil, tanto em instituições públicas quanto privadas. Pude participar como facilitador da formação de técnicos realizadas no Estado do Ceará através da Escola de Saúde Pública do Ceará. E o número de Técnicos em Saúde Bucal só tende a crescer. São essas as atribuições do Técnico em Saúde Bucal (TSB), disposta na resolução : Art.12. Compete ao Técnico em Saúde Bucal, sempre sob supervisão com a presença física do Cirurgião-Dentista, na proporção máxima de 1 (um) CD para 5 (cinco) TSBs, além de auxiliar em Saúde Bucal, as seguintes atividades:


a. participar do treinamento e capacitação de auxiliar em saúde bucal e de agentes multiplicadores das ações de promoção á saúde;


b. participar das ações educativas atuando na promoção da saúde e na prevenção das doenças bucais;


c. participar na realização de levantamento e estudos epidemiológicos, exceto na categoria de examinador;


d. ensinar técnicas de higiene bucal e realizar a prevenção das doenças bucais por meio da aplicação tópica de flúor, conforme orientação do cirurgião-dentista;


e. fazer a remoção do biofilme, de acordo com a indicação técnica definida pelo cirurgião-dentista;


f. supervisionar, sob delegação do cirurgião-dentista, o trabalho dos auxiliares de saúde bucal;


g. realizar fotografias e tomadas de uso odontológicos exclusivamente em consultórios ou clínicas odontológicas;


h. inserir e distribuir no preparo cavitário matérias odontológicos na restauração dentária, vedado o uso de materiais e instrumentos não indicados pelo cirurgião-dentista;


i. proceder à limpeza e à antiossepsia do campo operatório, antes e após atos cirúrgicos, inclusive em ambientes hospitalres;


j. remover suturas;


k. aplicar medidas de biossegurança no armazenamento, manuseio e descarte de produtos e resíduos odontológicos;


l. realizar isolamento do campo operatório;


m. exercer todas as competências no âmbito hospitalar, bem como instrumentar o cirurgião-dentista em ambientes clínicos e hospitalares.


Espero ter contribuído para esclarecer alguns pontos de um assunto tão polêmico e ainda desconhecido por muitos.


amilton



abraçosss

Odontologia Social


A Odontologia Social vive um momento de intensas transformações no campo político, cultural e econômico pelo qual passa nosso país. Nunca tantos brasileiros tiveram acesso a um consultório odontológico como nos últimos anos, e não estou aqui para fazer apologia a nenhum partido político, mas para enfatizar tais mudanças, mesmo que ainda poucas,mas significativas. O Brasil Sorridente inserido dentro da Estratégia de Saúde da Família, a Odontologia saindo dos consultórios e visitando os espaços sociais, realizando visitas domiciliares, distribuindo escovas, creme- dental ,fio- dental etc. São ações pactuadas como essas que fazem o diferencial. A formação cada vez maior de Técnicos de Saúde Bucal (antigo THD) aprimorando de forma qualitativa o trabalho de promoção e prevenção das doenças bucais.
Nosso SUS está fazendo 20 anos... Temos muito,mas muito mesmo que caminhar, devemos fazer a nossa parte, mesmo não trabalhando no serviço público você pode ajudar, contribuir. Pense só nos milhões de brasileiros que agora podem realizar um tratamento odontológico, e que jamais poderiam pagar por uma visita ao dentista... Está lá, na Constituição que ,"Saúde é um direito de todos e dever do Estado". Quando vejo essa frase penso no quão forte ela significa, quantos impactos ela já causou e ainda causa. Sendo mal interpretada poderia nos levar a pensar que o assitencialismo deveria imperar. Mas não, entedamos estado como muito mais além dos governantes, dos gestores, mas pensemos em cada um de nós, cidadãos brasileiros. Assistencialismo existe, é notório, mas a partir do momento que tivermos consciência de que meu mundo não gira sozinho, que as mudanças podem ser transformadas e iniciadas na minha casa,na minha rua,no meu bairro, na minha vida, estaremos criando uma políitica mais concreta,mais real.
Somos detentores de informações importantes, de conhecimentos científicos que precisam ser divulgados. A população precisa ser educada a questionar mais, a buscar mais qualidade de atendimento,mas somente fará isso se estiver engajada socialmente,politicamente. É aí que entra a Participação Popular, um dos princípios mais importantes do SUS. Os Conselhos Municipais de Saúde, Conselhos Locais de Saúde podem, sim ,representar a voz de muitos.
Vamos participar das mudanças, vamos promover uma Saúde Bucal sem exclusivismos, proselistismos, e muitos outros ismos.


amilton




abraçosss

Engoli meu dente e agora? O que fazer e quando se preocupar


Atualização - 2026

Esta crônica foi publicada originalmente em março de 2009, depois de uma situação curiosa que aconteceu no consultório.

Como a dúvida “engoli meu dente, e agora?” continua aparecendo nas buscas, acrescentei ao final algumas informações gerais e atualizadas sobre o que pode acontecer quando uma pessoa engole um dente, uma parte de uma prótese ou outro objeto durante um tratamento odontológico.

A crônica original

Durante a rotina de atendimento, uma senhora bateu na porta do consultório e, assustada, foi logo falando:

“Doutor, engoli o dente da minha dentadura, e agora?”

Ela tinha acabado de engolir o elemento dentário de sua prótese total ao tentar “comer” um osso, isso mesmo, um osso conforme ela relatou muito eufórica.

Primeiro, não devemos comer ossos, segundo a prótese não foi feita para sustentar tanta força de pressão. Nenhuma dentadura irá reconstituir a ação mastigatória dos dentes naturais em sua totalidade, apenas 30%.

A paciente foi informada, para sua tranquilidade, que o elemento seria eliminado naturalmente. E que uma outra dentadura fosse confeccionada. E que desse mais atenção aos cuidados na alimentação, pois a dentadura, mesmo sendo bem adaptada, não reconstituirá a ação mastigatória suficientemente.

A perda precoce dos dentes ainda é uma realidade, e à medida que a pessoa vai envelhecendo essa tendência aumenta cada vez mais. Os pacientes aparelhados necessitam de orientações quanto ao uso adequado de sua dentadura, bem como da alimentação, cuidados de higiene e troca da prótese.

Promover a saúde é muito importante, estaremos formando uma nova geração de adultos sem cárie, e com baixo número de edêntulos. Promoção e prevenção para crianças e adolescentes, e cuidados especiais com programas voltados para atenção aos idosos para que tenham uma vida mais saudável...

abraçoss

Engoli um dente. E agora?

A primeira coisa é não entrar em pânico.

Quando um objeto é realmente engolido, ele segue para o aparelho digestivo. Muitos objetos pequenos conseguem passar naturalmente pelo trato gastrointestinal e acabam sendo eliminados sem necessidade de tratamento.

Mas existe uma diferença importante entre engolir e aspirar um objeto.

Quando algo é aspirado, em vez de seguir para o estômago, pode entrar nas vias respiratórias. Essa situação pode ser mais séria, principalmente se houver dificuldade para respirar ou sensação de que o objeto ficou preso na garganta.

Por isso, depois de perder um dente, uma parte de uma prótese ou outro objeto durante uma refeição ou procedimento odontológico, é importante primeiro verificar se a pessoa está respirando normalmente e se consegue engolir.

Engolir um dente faz mal?

Na maioria das situações, um pequeno objeto que chega ao estômago consegue passar naturalmente pelo aparelho digestivo.

Entretanto, o risco depende de características como tamanho, formato e material do objeto, além dos sintomas apresentados pela pessoa.

Um pequeno elemento dentário não deve ser tratado da mesma maneira que uma prótese inteira, um objeto grande ou um objeto pontiagudo.

Por isso, cada situação precisa ser avaliada de acordo com as circunstâncias.

O que fazer se você engoliu um dente?

Se você tem certeza de que engoliu o objeto, está respirando normalmente, consegue engolir e não apresenta sintomas importantes, não há motivo para entrar em pânico.

Em muitos casos, pequenos objetos passam espontaneamente pelo aparelho digestivo.

O mais importante é observar o próprio estado de saúde e procurar orientação profissional caso apareçam sintomas ou exista dúvida sobre o que realmente aconteceu.

Se não for possível saber se o objeto foi engolido ou aspirado, a situação merece maior atenção.

E se eu tiver engolido uma dentadura ou uma prótese inteira?

Essa é uma situação diferente.

Uma prótese inteira é muito maior do que um pequeno elemento dentário e pode apresentar formato irregular. Dependendo do caso, ela pode ficar presa no esôfago ou em alguma região do aparelho digestivo.

Por isso, engolir uma prótese inteira merece avaliação médica.

Não é uma situação para simplesmente esperar em casa sem orientação, principalmente se houver dor, dificuldade para engolir, vômitos ou qualquer outro sintoma.

E se eu não souber se engoli ou aspirei?

Essa talvez seja uma das situações mais importantes de observar.

Se você perdeu um dente, uma parte de uma prótese ou outro objeto e não sabe onde ele foi parar, preste atenção principalmente à respiração.

Sinais que exigem atenção

Procure atendimento médico rapidamente se houver:

  • dificuldade para respirar;
  • falta de ar;
  • tosse intensa ou persistente;
  • sensação de objeto preso na garganta;
  • dificuldade para engolir;
  • alteração importante da voz;
  • dor no peito.

Esses sintomas podem indicar que o objeto não seguiu simplesmente para o aparelho digestivo e pode ter entrado nas vias respiratórias.

Em caso de dificuldade respiratória importante, a situação deve ser tratada como urgência médica.

Quando procurar atendimento depois de engolir um objeto?

Mesmo quando a pessoa acredita ter engolido o objeto, alguns sintomas justificam avaliação médica.

Procure atendimento se surgirem:

  • dificuldade para engolir;
  • dor persistente;
  • dor abdominal;
  • vômitos;
  • sangue nas fezes;
  • fezes muito escuras;
  • sensação de que o objeto ficou preso;
  • piora do estado geral.

Também é recomendável buscar orientação quando o objeto for grande, pontiagudo, irregular ou quando houver qualquer dúvida sobre o que foi engolido.

Uma coisa é engolir. Outra é aspirar.

Essa diferença merece ser repetida porque é fundamental.

Engolir significa que o objeto entrou no aparelho digestivo.

Aspirar significa que o objeto entrou nas vias respiratórias.

As duas situações podem acontecer quando um pequeno objeto se solta durante um procedimento odontológico.

A diferença é importante porque a aspiração pode comprometer a respiração e, dependendo do caso, exigir atendimento médico imediato.

Por isso, se alguém perder um dente, uma prótese ou outro objeto e não souber se o engoliu ou aspirou, não deve simplesmente presumir que o objeto foi para o estômago.

E a história daquela paciente?

No caso que deu origem a esta crônica, tudo aconteceu de uma maneira bastante inusitada.

A paciente não estava simplesmente fazendo uma refeição tranquila quando percebeu que havia engolido o dente.

Ela estava tentando “comer” um osso com a dentadura.

E foi assim, no meio da rotina do consultório, que surgiu uma das perguntas mais curiosas que já ouvi de uma paciente:

“Doutor, engoli o dente da minha dentadura, e agora?”

Naquele momento, a preocupação dela era completamente real.

Para mim, porém, a situação acabou se transformando em uma daquelas histórias de consultório que ficam na memória.

E, muitos anos depois, ela continua curiosa.

Uma crônica de 2009 que continua atual

Quando escrevi este texto, em março de 2009, simplesmente cheguei do consultório e coloquei no blog aquilo que ainda estava fresco na minha cabeça.

Não havia estratégia de SEO.

Não havia planejamento de palavras-chave.

Não havia ferramenta dizendo o que as pessoas estavam pesquisando.

Era simplesmente uma história curiosa que tinha acontecido naquele dia.

E talvez seja justamente por isso que ela tenha sobrevivido tão bem ao tempo.

Hoje, olhando para ela novamente, quase duas décadas depois, percebo uma coisa curiosa:

às vezes, uma boa história já nasce com a pergunta que alguém vai fazer muitos anos depois.

Perguntas frequentes

Engolir um dente pode fazer mal?

Na maioria dos casos, pequenos objetos que chegam ao aparelho digestivo passam naturalmente. Porém, o risco depende do tamanho, formato e características do objeto e dos sintomas apresentados.

Se houver dor, dificuldade para engolir, vômitos, dificuldade para respirar ou qualquer outro sintoma preocupante, procure atendimento médico.

Quanto tempo demora para um objeto engolido sair?

O tempo pode variar de acordo com o objeto e com o funcionamento do aparelho digestivo de cada pessoa.

Pequenos objetos podem ser eliminados naturalmente, mas não é recomendável tentar acelerar esse processo por conta própria.

Engolir uma dentadura é diferente de engolir um dente?

Sim.

Um pequeno elemento dentário e uma prótese inteira são objetos muito diferentes em tamanho, formato e características.

Uma prótese inteira pode ficar presa no trato digestivo e, por isso, merece avaliação médica.

Como saber se aspirei um dente?

Não é possível determinar isso com segurança apenas pela internet.

Tosse persistente, dificuldade para respirar, sensação de objeto nas vias aéreas, alteração da voz ou dor no peito são sinais que justificam avaliação médica.

Preciso ir ao médico se engoli um dente?

Nem todo caso exige atendimento de emergência. Se o objeto for pequeno, tiver sido realmente engolido e a pessoa estiver sem sintomas, ele pode passar naturalmente pelo aparelho digestivo.

Por outro lado, objetos grandes ou pontiagudos, próteses inteiras, sintomas importantes ou dúvida sobre aspiração são situações que justificam avaliação profissional.

Uma pergunta que atravessou quase duas décadas

Quando publiquei esta história em 2009, jamais imaginei que aquela pequena crônica de consultório continuaria sendo encontrada tantos anos depois.

Na época, eu apenas contei uma história.

Hoje, o Google me mostra que outras pessoas continuam fazendo praticamente a mesma pergunta:

“Engoli meu dente. E agora?”

Talvez essa seja uma das coisas mais interessantes de manter um blog durante tantos anos.

Alguns textos envelhecem.

Outros simplesmente ficam esperando o momento certo para serem descobertos novamente.

E essa história, pelo jeito, ainda tinha alguma coisa para contar.

abraçoss

Fontes e informações adicionais

As informações acrescentadas nesta atualização foram baseadas em fontes médicas e hospitalares sobre ingestão e aspiração de corpos estranhos e objetos durante tratamentos odontológicos.

Observação: este texto tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica ou odontológica individual. Em caso de dificuldade para respirar, dor intensa, dificuldade para engolir ou outros sintomas importantes, procure atendimento médico.