Cadê a paciente?!?


Muitas situações inusitadas ainda me pegam de surpresa,e a maioria, a grande maioria delas me fazem ter certeza que a vida no consultório odontológico não se limita a quatro paredes, vai muito além disso. E quando os protagonistas de tais histórias trazem para a cadeira odontológica seus dramas, suas alegrias, então um mundo cheio de nuances nos impulsiona, nos faz "viajar"...
Nessa semana, durante atendimento a uma senhora, por volta das 19 horas, caía uma tempestade com fortes raios e muitos trovões. A paciente começou a ficar inquieta, e por alguns segundos faltou luz elétrica na sala, e ao ser reestabelecida percebi que a paciente tinha sumido. Cadeira vazia, olhei para a auxiliar e perguntei, "..então, cadê a paciente?" . Ela levantou e saiu correndo, e disse que não gostaria de ser atendida por medo de um raio cair na boca dela. Tudo bem, os raios e trovões continuaram,mas o atendimento daquela noite estava suspenso. O compressor que faz o equipamento funcionar parou de vez, entrou em pane total.
Lembrei de uma certa vez na faculdade, ainda enquanto acadêmico de Odontologia na Universidade Federal do Ceará, dois colegas atendiam uma paciente na clínica de radiologia, ao fazer a tomada radiográfica, depois de posicionar a película na boca da paciente saíram correndo para disparar o aparelho de raio x e não receberem radiação. E quando perceberam a paciente estava do lado deles. Ela também correu junto, e falou "Ora, vocês saem correndo, me deixam sozinha, não avisam nada e querem que eu fique lá? Eu heim !!! " .

abraçoss

Que Azar que Nada !!!


Acreditar na sorte seria acreditar na fatalidade? Será que tudo não passa de uma grande entropia? Temos o nosso livre-arbítrio, podemos fazer nossas escolhas e nos desvencilhar do que possivelmente poderia ser chamado de fatalidade, e acreditar que ,na verdade, existe um motivo, existe uma causa... Estamos aqui porque há uma grande causa inerente a tudo! Não estamos ao acaso!!! A teoria da fatalidade nos coloca sem rédeas, sem controle sobre nossas ações...
Um jovem paciente relatou-me que passa por uma onda de azar, pois tudo tem dado errado na vida dele. Tudo isso porque ao entrar no consultório faltou energia elétrica, e ele foi logo falando que era culpa dele. Mas culpa de que? Você desligou os fios da rede elétrica? Indaguei brincando, mas ele respondeu que há dias foi assaltado, sua namorada o traiu, ele perdeu o emprego . Realmente ele passou por momentos nada agradavéis...
Na conversa tentei mostrar que ele poderia mudar, que as ações e pensamentos seriam muito importantes naquele momento. Pensar positivo,agir de forma coerente, e trabalhar para reverter a situação. Esquecer o passado, dar espaço ao novo, não lamentar-se, não viver preso a uma situação que o faria ficar deprimido. O que passou já passou... Emprego ele pode conseguir outro, e namorada também, e até lembrei d euma frase da cineasta Sandra Werneck na qual ela diz que "namorado(a) é que nem ônibus, perdeu um(a) é só ficar na parada que passa outro".
A energia elétrica do consultório não voltou, mas notei que o paciente recebeu nova ondas energéticas, e saiu sorrindo... Não tem dinheiro no mundo que pague isso!

Abraçoss

Mulheres



Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.


Elas brigam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se para injustiças.
Elas não levam "não" como resposta quando
acreditam que existe melhor solução.


Elas andam sem novos sapatos para
suas crianças poder tê-los.
Elas vão ao médico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.


Elas choram quando suas crianças adoecem
e se alegram quando suas crianças ganham prêmios.
Elas ficam contentes quando ouvem sobre
um aniversário ou um novo casamento.

Pablo Neruda












Amores


As dores diárias que chegam até o consultório refletem a personalidade de cada pessoa que as suporta, que as carrega. Muitas vezes são dores insuportáveis, outrora são dores imaginárias abrigadas num coração vazio sedento de amor,atenção e carinho. Mas quando a dor passa a simbolizar um meio de conseguir alcançar o amor? Possível? Lógico? Racional?
A paciente que chegou ao consultório reclamando de dor aguda insuportável a dias e pedindo um atestado para suportar a dor em casa me levou a esses questionamentos. Vejamos...
Depois de um exame clínico e de conversar com a paciente sobre a "possível" dor, cheguei à conclusão de que, pelo menos naquele momento, sua saúde bucal estava em boas condições. E depois de muito conversar ele admitiu que gostaria mesmo apenas de receber o atestado para ficar em casa com seu namorado que não via a meses. Expliquei que atestado falso é crime, e que eu poderia ser preso por causa da mentira que poderia compartilhar com ela, mesmo sendo por uma causa nobre, o amor...
Uma outra paciente marcou-me pela insistência em realizar exodontia dos dentes anteriores simplesmente porque o seu namorado não possuia os dentes anteriores e ela queria ficar igualzinha a ele. Disse que o beijo seria melhor... Não sei entender, ainda fico imaginando como a ausência estética dos dentes pode facilitar o beijo. Depois de muito explicar sobre a importância funcional dos dentes na boca dela, da necessidade dos mesmos para mastigação,deglutição,nutrição,fonação,e claro, esteticamente mais favorável do que os dentes artificiais usados numa prótese. Ela saiu do consultório sem falar nada. Difícil mudar conceitos e crenças de anos em apenas minutos...
Que o amor exista, mas que não seja passível de mentiras, dores das mais diversas e que seja pontuado pelo respeito a si próprio e ao outro, aos eu corpo, á sua vida...

Abraçosss