Plantando dentes...


Nascer, crescer, dar frutos. Tudo isso faz parte da vida, quer você seja uma planta, um animal, um ser humano. As etapas às quais somos submetidos são invariavelmente moldadas por nossas ações, seremos e colheremos aquilo que plantamos. Alguns estão maduros e suficientemente capazes de viver e tomar decisões acertadas, outros ainda estão verdes e são incapazes de gerir a própria vida. Só o tempo mostrará os resultados, e pelos caminhos trilhados todos, com certeza,serão alvo de evolução,e sempre para melhor,mesmo que haja algum e variado sofrimento pelo caminho traçado.
Marcelo acordou acreditando que o caminho que o levaria à escola poderia ser bem mais bonito,e como sempre diziam a ele que sorrir era bonito, ele imaginou que se plantasse dentes por todo o percurso tudo ficaria tao lindo quanto um sorriso. Mas como arranjaria tantos dentes?!? Como plantaria? Como convencer seus pais, seus amigos?! Todas essas dúvidas ele carregou durante dias, meses, e sonhava indo para a escola e vendo muitos,muitos dentes nascendo pelo caminho, e ao acordar ficava feliz,mas ao mesmo tempo insatisfeito por não poder realizar seu sonho.
Na primeira oportunidade de visita ao consultório dentário Marcelo perguntou ao dentista se ele poderia lhe dar alguns dentes, vários dentes, muitos inclusive se fosse preciso. O dentista assustado, perguntou o real motivo, e o garoto explicou que gostaria de plantá-los, não na boca,mas no caminho da escola para que se tornasse cada vez mais bonito,cada vez mais alegre. Assustado, o dentista tentou explicar que dentes nao nascem como árvores, e falou que seria impossível o garoto plantar dentes porque simplesmente isso não existe.
Triste, muito triste, Marcelo voltou para casa. Acreditou que certamente não poderia plantar dentes, que talvez fosse mesmo um absurdo de sua cabeça, de seus sonhos,mas que talvez existissem outras alternativas que pudessem tornar o caminho de ida até a escola mais bonito, mais alegre...
E decidiu dormir, para que sonhando encontrasse a solução...

INSÔNIA



Perdido em pensamentos
Labirintos que me levam a você
Trilhas do meu ser
Labirintos que me afastam de mim


Perdido em sonhos
Passos dados sem fim
Caminhos distantes
Caminhos de antes
Labirintos do meu mundo


Mundo insano
Mundo insone
Mundo vazio
Mundo meu


Procuro em sonhos
Você não responde
Sofro sozinho
Sozinho sou teu



amilton
Ps. Ouvindo "Frases mais azuis" Nando Reis

Ausência


CORPO AUSENTE

MENTE QUE SENTE

VAZIO PROFUNDO

NO FUNDO DO CORAÇÃO


ÂNSIA DE TER

ÂNSIA DE SER

SER COMPLETO

TER COMPLETO


CORPOS EM TRANSE

MENTES QUE CAPTAM

DESEJOS ARDENTES


ÂNSIA DE TER

ÂNSIA DE SER

DOIS CORPOS EM UM

Amilton

O Pé Do Meu Dente


Marcelo tinha somente 8 anos, e imaginava que da sua boca sairia uma árvore com galhos enormes toda vez que ele não escovasse os dentes. Ele chegava a fantasiar andando pelas ruas carregando na boca galhos verdes, noutras vezes amarelos, vermelhos. A criatividade de Marcelo fazia as horas passarem mais rápido, as férias não eram tão animadas como ele imaginava,e a volta às aulas era ansiosamente esperada...
Ele passou a ver sua boca cheia de galhos e não somente com folhas e mais folhas,agora tinham frutos,muitos frutos,e estes começaram a ficar podres,começaram a exalar um odor fétido. E o que era antes bonito, passou a representar uma angústia na vida dele. Os amigos passaram a deixá-lo de lado, o isolamento veio como num passe de mágica, e com ele todo o sofrimento da solidão de quem tem apenas 8 anos de idade... Com o tempo os frutos começaram a cair, a árvore precisou ser podada, regada, cuidada diariamente até voltar a dar frutos.
Marcelo não existe na realidade, essa estória muito menos ainda. Mas por que ela surgiu? Às vezes imagino coisas que simplesmente explodem na imaginação,e basta o estopim para dar início,e o que pode ser inusitado agora poderá ser real ao colocá-lo no papel. A estória de Marcelo começou a surgir a partir de uma paciente que chegou ao consultório pedindo que eu cuidasse do "pé do dente" dela,sinceramente eu nunca tinha me imaginado cuidando do"pé de um dente", certo que já usei várias vezes analogias de dentes em maquetes simbolizadas com braços e pernas, o que hoje descarto completamente,pois o dente não é um ser que anda,pensa,o dente está na boca de um ser humano que tem dores,sofre,ri... Imaginar um dente sozinho com braços e pernas andando na rua parece deslocar o lado humano em segundo plano,e criar um esteriótipo deturpado na imagem de muitos que passam a receber a informação,na grande maioria crianças.
Na verdade, a jovem paciente ao usar o termo "pé do dente" referia-se ao colo do dente,região situada entre gengiva e coroa.
E a estória de Marcelo continua....
Abraços a todos!