Quero o meu gardenal !
Quantos sonhos serão traçados, quantos caminhos serão seguidos e em quantas trilhas nos perderemos? Muitas respostas podem nunca aparecer, outras estão escancaradas esperando para serem tomadas, aceitas, vividas... A cegueira que nos acompanha, muitas vezes nos impede de enxergar o óbvio, o real, e preferimos levar uma vida artificial, mascarada, e daí sofrimentos, e depois a” felicidade” estampada em comprimidos com hora marcada para acabar, e então recomeçamos, nos atormentamos, nos perdemos, nos reencontramos num círculo sem fim.
Ao ver aquela senhora, rugas marcantes no rosto, olhar fixo em mim, mãos trêmulas a procurarem respostas para uma dor infinita, inóspita, inexplicável. A sua ida ao consultório odontológico não tinha motivo aparente, para era ela pura e simplesmente a dor fixava a necessidade de um remédio para aliviar aquele temporal que perdura a anos. E os tempos vão passando, e ela continua na mesma, no imobilismo de uma vida anestesiada por comprimidos muitas vezes sem nomes, sem intenção de cura, apenas paliativo, apenas placebos.
-Quero o meu gardenal!!!- gritou a senhora insistentemente
-A sra precisa ir ao médico, será bem melhor-respondi.
-Que nada, basta o senhor escrever a receita e pronto! Não preciso ouvir as mesmas coisas de novo dele ( o médico)...
E ela começou a ficar nervosa, agitada, lágrimas começaram a escorrer de sue rosto e em vão tentei acalmá-la, mas ela repetia e repetia-Quero o meu gardenal!!-e saiu correndo pelos corredores gritando.
Difícil esquecer essa cena, impossível esquecer aquela senhora e suas dores...
A porta do consultório odontológico talvez tenha sido a única oportunidade encontrada por ela para amenizar tudo ou ,simplesmente, exacerbar males contidos, vícios de tempos, marcas profundas e indeléveis na alma e no corpo. E assim ela se foi, e com ela seu desespero, suas angústias...




Postar um comentário