O Céu da Boca de Marta

  Cada um sabe o tempo certo de seguir, de parar, ou até mesmo de mudar completamente a rota de tudo que foi planejado, ou simplesmente não ter rota nenhuma.Nada ,absolutamente nada.
  Foi assim que Marta pareceu...
  Aos 23 anos ela chegou ao consultório odontológico eufórica, falando palavras desconexas. Uma metralhadora ambulante disparando gerúndios infinitos sem conexão.
  Difícil entender o que de fato se passava pela cabeça dela. Nada seria necessário ser feito em sua boca , pelo menos naquele momento. Mas ela insistia que “algo"estava errado, que uma “tormenta” invadiu o céu da sua boca.
  O céu da boca de Marta era frio, seco, vermelho ao extremo e de tempos em tempos jorrava sangue da parte mais funda (
foi assim que ela descrevera).
  Marta não queria deixar o consultório odontológico, insistia ficar esperando a cachoeira de sangue que escoaria do céu de sua boca. Em vão esperamos quase uma hora, até que a mãe da jovem nos arrematou para a dura realidade de Marta.
  Ela levava uma vida perfeitamente normal, segundo as palavras de sua mãe, e que do nada,simplesmente do nada ,acordou como uma personagem fugindo de um roteiro mal escrito, inacabado. As idas e vindas de Marta para tratamento psicológico parecem não ter aliviado as dores contidas nesse novo roteiro que a vida lhe proporcionou. Noites em claro são subitamente substituídas por dias e mais dias de solidão numa cama de um quarto escuro.
  Depois de quase uma hora, ela deixou o consultório amparada pelas mãos de sua mãe que carinhosamente a acalentava, e enxugava suas lágrimas que escorriam em seu rosto como uma cachoeira em dia de chuva...
1 Response
  1. Kellen Says:

    Amigo querido!
    Estava com saudades dos seus textos...
    bj